segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

TRADIÇÃO CATÓLICA DA SEXTA FEIRA CHAMADA SANTA

TRADIÇÃO CATÓLICA DA SEXTA FEIRA CHAMADA SANTA. 


I - A definição de Jesus sobre adoração a Deus está bem clara no versículo de João 4.24. A expressão "adorar em espírito e em verdade" vem de um diálogo entre Jesus e a mulher samaritana no Evangelho de João, capítulo 4, versículo 24, onde Jesus disse: "Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". Jesus não menciona nenhum ser humano e nenhum objeto conhecido entre os homens que seja digno de ser adorado como santo ou com aparência de santo. 
A - A tradição católica da sexta feira chamada “santa” foi definida e inventada pelos homens. A tradição católica da cerimônia da sexta feira santa ou sexta feira da paixão, foi também e definida e inventada pelos homens. Se você é católico há pelo menos alguns anos e conhece um pouco da liturgia da tradição católica romana que celebrada na Sexta-feira Santa em igrejas católicas ao redor do mundo a adoração da Cruz na sexta-feira da paixão. Mas como essa tradição começou e o que ela significa para os católicos Romanos? 
B - Antes de mergulhar na história e na tradição desta importante parte da liturgia da igreja católica da Sexta-feira Santa ou da sexta-feira da paixão, é importante notar que em muitos lugares e em muitas literaturas do catolicismo Romano e sua tradição, existem termos exclusivos para serem usados referindo-se a este ritual como “veneração da Santa Cruz”, ao invés de utilizarem o termo “adoração da Santa Cruz”. Muitas pessoas ficam confusas com os nomes, mas tudo é a mesma coisa, em qualquer dicionário bíblico que você pesquisar você vai encontrar o significado das duas palavras, veneração e adoração da cruz, referindo-se ao termo “idolatria”. 
C - Este texto usa a terminologia tradicional do Missal Romano que é a adoração da Santa Cruz. Além disso, aqui, quando se faz referência à Cruz, está implícita também a ideia de crucifixo. Para entender melhor porque é prestado o culto de “latria” que é a Cruz de Cristo, e aos crucifixos que o representam, há uma grande defesa desta tese pela tradição Romana. Diz a referida tradição que houve uma busca de uma santa pela Vera Cruz. 
1 - Por volta do século VII, na Sexta-feira Santa, a adoração do madeiro da verdadeira Cruz tinha lugar em Roma. O Papa e outros caminhavam em procissão de São João de Latrão até a igreja da Santa Cruz e depois, com grande humildade, sem cobertura nem sapatos, adoravam o madeiro da Cruz. À medida que a Igreja crescia, e como só em algumas paróquias havia “fragmentos da Vera Cruz” usava-se uma cruz vazia sem a imagem de Jesus ou um crucifixo a ser adorado pelos fiéis na Sexta-feira Santa. “Hoje, uma cruz sem a imagem de Jesus crucificado não é mais comum em nossas igrejas, diz um bispo católico. 
2 - De fato, a Instrução Geral do Missal Romano diz: Deve haver também uma cruz, com a figura de Cristo crucificado sobre ela, onde seja claramente visível para a congregação reunida. Convém que tal cruz, que lembra aos fiéis a Paixão salvadora do Senhor, permaneça junto ao altar mesmo fora das celebrações litúrgicas. A sombria sacralidade de adorar a Santa Cruz na Sexta-feira Santa evoca até certo ponto a “Paixão salvadora do Senhor” segundo a mesma tradição. 
3 - Na Idade Média, tornou-se popular por algum tempo o costume de “rastejar” de joelhos até a Cruz. Diz-se que o venerando São Luís IX, Rei de França (1226–1270), foi de joelhos até a Cruz na Sexta-feira Santa, descalço, sem coroa, vestido de cilício, e seus filhos fizeram o mesmo. Na Inglaterra do século XVI, o Rei Henrique VIII (1509–1547) fez uma proclamação que incluía a veneração da Cruz: “Rastejando até a cruz e nos humilhando diante de Cristo na Sexta-feira Santa, ali nos oferecemos a Cristo, beijando-o em memória de nossa redenção, realizada por Ele na cruz”. A prática foi repetida várias vezes até o reinado de Elizabeth I (1558–1603), quando então foi suprimida. 
4 - O ato litúrgico da Sexta-feira Santa hoje consiste no seguinte: a Sexta-feira Santa é o único dia do ano em que a Igreja católica romana não celebra o santo sacrifício da Missa. Neste dia, os fiéis devem concentrar-se na Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o dia mais triste conhecido pelo homem, dia em que o nosso Salvador morreu por nós na Cruz. Mais de dois mil anos depois, os cristãos católicos ainda se reúnem toda Sexta-feira da Paixão à tarde, por volta das 15h, para lembrar de maneira especial o que aconteceu no Calvário séculos atrás, relembrando o Cristo, sofredor e que foi executado pendurado num madeiro. 
5 - O símbolo pagão mais adorado e idolatrado por todo o mundo em todos os lugares e em todos os tempos pelos cristãos é a cruz. Muitos consideram a cruz como um símbolo do cristianismo, mas ela é originalmente um ídolo pagão. Muito antes da formação do cristianismo, a cruz havia sido usada como um símbolo da fé nas religiões pagãs. O Novo Testamento, escrito na época apostólica, não tem registro da cruz como um símbolo de igreja. Ao contrário, os apóstolos rejeitaram a adoração de ídolos e ensinaram que os idólatras não herdarão o reino de Deus por serem injustos (1 Co. 6:9-10). No entanto, como é que a cruz se estabeleceu firmemente no cristianismo? 
6 - A Origem da Cruz. A cruz originariamente não é um símbolo de fé que apareceu pela primeira vez após a crucificação de Jesus, mas se originou da antiga Babilônia. “A forma desta última (cruz) teve sua origem na antiga Caldéia, e foi usada como símbolo do deus Tamuz (estando na forma do místico Tau, a inicial de seu nome) naquele país e em terras adjacentes, inclusive no Egito”. A Caldeia era o território central da Babilônia. Na Babilônia, o “T”, a letra inicial do nome Tamuz, era usado como um símbolo religioso para adorá-lo. Isso foi propagado aos países vizinhos, e a cruz é encontrada nas relíquias de países antigos como o Egito e a Assíria. O costume de adorar a cruz continuou mesmo depois que o Império Romano foi estabelecido. 
7 - História da Introdução da adoração da Cruz no meio cristão. O uso da cruz na igreja começou nos dias de Constantino. Antes do Imperador Constantino legalizar o cristianismo, a igreja era perseguida pelo Império Romano e a cruz era usada como um instrumento para executar os cristãos. Em tais circunstâncias, era um absurdo que a igreja embelezasse a cruz, que era um instrumento terrível para a pena de morte, e a usasse como um símbolo do cristianismo. Na verdade, a igreja não ergueu a cruz durante cerca de 300 anos depois da ascensão de Jesus até o tempo de Constantino. 
8 - “O uso público da cruz foi adotado pelos cristãos como um símbolo na época de Constantino. Para os primeiros cristãos primitivos, cercados pela crucificação como um fato sombrio da experiência comum, não havia o perigo de embelezar a cruz pelo sentimento”. 
9 - Os cristãos devem usar a cruz como símbolo de adoração? Quando a expressão “a cruz” é usada, geralmente é empregada como uma metáfora, assim como a forca ou a guilhotina poderiam ser em tempos posteriores. A cruz representa o que Jesus realizou. Ao escrever aos Gálatas, Paulo usou a expressão “a cruz” para capturar em apenas duas palavras a imagem do sacrifício supremo de Cristo pelos pecados do mundo inteiro. “ Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”. (Gálatas 6:14). 
10 - Também devemos considerar o procedimento romano de crucificação, tal como era usado para a pena capital. O termo “crucificação” tem origem na palavra latina “crux”, que significa cruz. Nas versões em inglês da Bíblia, lemos que Jesus foi crucificado numa cruz (stauros em grego). Stauros refere-se a um poste com ou sem travessa. Atos 5:30 e 10:39 dizem-nos que Jesus foi morto numa árvore ( xulon em grego). Esta palavra pode significar uma árvore, um porrete, um bastão ou outro objeto de madeira. 
11 - Embora as informações sejam limitadas, as evidências históricas e arqueológicas mostram que os romanos geralmente usavam uma trave transversal, e não apenas um poste vertical, ao crucificar indivíduos. Essa trave transversal ficava sobre o poste vertical ou o atravessava em algum ponto de seu quadrante superior. A viga que Jesus foi obrigado a carregar (João 19:17) e que Simão de Cirene ou Simão Cirineu carregou para ele depois que Jesus desmaiou de exaustão, (Lucas 23:26) era provavelmente a trave transversal que mais tarde foi fixada ao poste ou árvore vertical. Não há indicação nos Evangelhos de que a crucificação de Jesus tenha sido de alguma forma diferente da crucificação romana padrão. 
12 - Um Dicionário de Teologia bíblica afirma: “Parece que os relatos evangélicos da morte de Jesus descrevem um procedimento romano padrão para crucificação”. Podemos concluir que o instrumento usado na crucificação romana padrão tinha algum tipo de formato semelhante a uma cruz. A forma da cruz de Cristo não é o que importa. O que aconteceu ali, quando o Filho de Deus deu a sua vida para pagar pelos pecados de toda a humanidade, é de suma importância. Para todos os que creem em Cristo e o aceitam como Salvador e Senhor, o seu sacrifício nos reconcilia com Deus e nos salva da pena de morte que nossas vidas pecaminosas acarretaram. Por isso sempre digo que devemos adorar a Jesus e não a cruz. A cruz não tem mérito nenhum na morte vicária de Jesus; todo o mérito de adoração é do Senhor Jesus que Deus a Sua vida para morrer em nosso lugar. 
13 - Como o segundo dos Dez Mandamentos de Deus proíbe estritamente o uso de objetos na adoração, a Igreja Evangélica não deve usar a figura ou imagem de uma cruz em seus cultos nem ensinar a prática de "fazer o sinal da cruz" após a oração. Os membros das igrejas evangélicas pentecostais também não usam cruzes como símbolos de devoção. Referimo-nos à cruz da mesma forma que as Escrituras se referem a ela, ou seja, como uma referência direta ao instrumento usado para tirar a vida de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo ou como uma figura de linguagem que simboliza a morte expiatória de Cristo por nós. 
14 - Desvendando o mistério da confusão das palavras que no fundo o dicionário define que são a mesma coisa. À acusação de adorar Maria e os santos, os católicos muitas vezes afirmam que “veneram”, e não adoram, a eles. Venerar é ter grande respeito ou reverenciar. A veneração pode ser definida como "respeito ou reverência dirigidos a alguém devido ao seu valor ou grandeza". 
15 - A definição mais simples de adoração é “atribuir valor”. A adoração pode ser mais completamente definida como “mostrar respeito, amor, reverência ou adoração”. Com base no dicionário, não há uma diferença clara entre veneração e adoração. Na verdade, veneração e adoração são frequentemente usadas como sinônimos uma para a outra. Mas as definições de dicionários não são o ponto principal. Não importa o que seja chamado. A Bíblia não instrui em lugar algum os seguidores de Jesus Cristo a oferecer adoração, veneração ou algo semelhante a ninguém além de Deus. 
16 - Em lugar nenhum do Novo Testamento os seguidores de Jesus Cristo adoram, veneram ou aceitam serem adorados em lugar de honra, sempre afirmaram: não adoram ninguém além de Deus. Eles também não aceitaram receber adoração. Pedro se recusou a receber adoração de Cornélio, (Atos 10:25–26), e Paulo e Barnabé foram igualmente categóricos de que as pessoas de Listra não os venerassem, (Atos 14:15). Duas vezes no livro do Apocalipse (Apocalipse 19:10; 22:8), o apóstolo João começa a adorar um anjo, e o anjo o instrui: “Adora a Deus!” Maria e os santos que foram para o céu antes de nós diriam a mesma coisa: “Adora a Deus!” 
17 - A Igreja Católica romana tem diferentes graus de adoração: Dulia, Hiperdulia e Latria. Dulia é a honra dada aos santos. Hiperdulia, segundo a tradição da igreja católica é a honra dada somente a Maria, como a “maioral dos santos”. Latria é a honra dada somente a Deus. Em contraste, a Bíblia sempre atribui honra, no contexto de adoração, somente a Deus, (1 Crônicas 29:11; 1 Timóteo 1:17; 6:16; Apocalipse 4:11; 5:13). Mesmo que houvesse apoio bíblico para diferentes níveis de adoração, ainda não haveria apoio bíblico para oferecer níveis mais baixos ou menores e muito menos de níveis maiores de adoração de qualquer ser humano além de Deus. 
18 - Somente Deus é digno de adoração, louvor, (Neemias 9:6; Apocalipse 4:11; 15:4) e ou veneração, não importa como seja definido. O valor de Maria, que foi honrada por Deus para ser a mãe de Jesus, vem do fato de que Deus a escolheu para um papel glorioso e a salvou de seus pecados através da morte de Jesus Cristo na cruz do calvário, (Lucas 1:47). O aparente valor dos santos ou honra especial que um ser humano possa ter vem do fato de que Deus os salvou, os transformou, e então os usou de maneiras poderosas e surpreendentes, mas não que eles fossem superiores ou melhores do que a qualquer um dos salvos, quem os salvou foi Jesus que continua a salvar a todos os que nEle crer. Que todos nós, como fez Maria, os profetas, os apóstolos e todos os que arrependeram de seus pecados, até e inclusive os que podem ser considerados santos pelos homens, caiamos de joelhos no chão e adoremos ao Único que é digno de ser adorado, Jesus Cristo o Filho de Deus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, que perdoa e salva o mais vil pecador que a Ele se converter. 

Deus abençoe você e sua família. 

Pr. Waldir Pedro de Souza. 
Bacharel em Teologia, Pastor e Escritor.

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