segunda-feira, 20 de abril de 2026

O EVANGÉLICO POLÍTICO E O POLÍTICO EVANGÉLICO

O EVANGÉLICO POLÍTICO E O POLÍTICO EVANGÉLICO


I – Em Mateus 16.26, Jesus pergunta: “De que adiantará uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará uma pessoa em troca de sua alma?” O que significa “ganhar o mundo inteiro”? Essa expressão significa valorizar os ganhos temporários e terrenos, recebendo tudo o que o mundo oferece, tal como dinheiro, fama, prazer, glória, poder, prestígio etc, ou seja: valorizar mais o mundo do que a Deus. O que significa “perder a alma”? Essa frase significa morrer sem um relacionamento correto com o Senhor Jesus Cristo nessa vida e ser condenado a passar a eternidade no “lago de fogo”, no inferno. Decidir em viver de forma comprometida com Jesus, significa que você entendeu Sua ordem em Mateus 16.24: “…Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Na verdade, “tomar a cruz” implica em ser condenado à morte. A declaração de Jesus simboliza um compromisso total e final com Ele. Em outras palavras, é preciso que você esteja disposto a desistir de tudo para ser um seguidor de Jesus Cristo. Isso também não quer dizer que você não possa fazer mais nada; isso significa que tudo o que te vier a mão para fazer, você deve fazer lembrando que esse “tudo" significa que você tem o dever de fazer tudo aquilo que agrada a Deus. Se desagradar a Deus então não faça. 
II - Como deve ser a postura de um evangélico político e de um político evangélico? Há ainda uma reminiscência na memória de cada evangélico que há tempos idos as discriminações para com os mesmos eram as mais diversas, éramos tratados com todo aviltamento, porém, com o trabalho e crescimento sério que passaram a ter, algumas opiniões positivas foram sendo dadas por especialistas no campo da sociologia, antropologia, política e em revistas nacionais. Destacaremos alguns para efeito de recordação, já que hoje não somos mais tratados como escória da sociedade em que os crentes eram discriminados de tal forma que apedrejavam as casas dos mesmos como se eles não fizessem parte de uma sociedade em que todos têm os direitos iguais. 
III - Para alguns antropólogos a suposta “alienação pentecostal” seria justamente fonte de mudanças efetivas porque cria comunidades de descontinuidades e transformações. Nas Palavras de outros os evangélicos representam um movimento de mudança radical, pois enfrentam de modo mais convincente assuntos envolvendo dinheiro, saúde, doenças, crise moral e familiar. Outros acham que os evangélicos representam uma emergência de uma nova sociedade igualitária. Mas uma tônica altissonante vem da imprensa escrita, na qual um diretor de uma organização não governamental afirma que hoje os evangélicos são a alternativa ao narcotráfico, a principal resistência em termos de produção de identidade, de conjunto de valores, de respeito pela força comunitária, exatamente pela valorização dos seus princípios imutáveis que são crenças e valores no que concerne à tudo o que Deus determinou para o ser humano, desde a criação, desde o Gênesis ou começos. 
IV - Com tais assertivas sendo propagadas, os evangélicos deixaram de serem vistos apenas como homens da pregação, trabalhando apenas entre as quatro paredes dos templos, salões, como pessoas sem muita capacidade, isso se deve a ação dessa comunidade presente no aspecto espiritual, social e moral que valoriza mais o ser do que o ter. Os louvores pela atuação e postura dos evangélicos nas ações comunitárias, na igualdade social, na inclusão dos desprezados têm gerado aplausos, porém, pelo lado político, muitos evangélicos eleitos não provocaram grandes repercussões.
A - A tentação de serem corrompidos fez com que muitos pastores e líderes evangélicos se comprometessem com ilícitos que os tornaram iguais aos mundanos insanos que a lei deles não são mais os valores e princípios morais bíblicos, mas aceitam e defendem a mentira como se verdade fosse, esquecendo do princípio básico da fé que é a defesa da verdade e do verdadeiro Deus. A causa para isso tem sido a questão corporativista e triunfalista, que tem tido grande influência no meio evangélico. É bem verdade que com o crescimento dos evangélicos no Brasil algumas autoridades, e até a mídia têm se voltado para os mesmos. O aspecto numérico tem seu peso positivo, pois pode fazer com que alguns olhem para nós com mais respeito, todavia, quando prevalece o corporativismo evangélico na política, visando especificamente o interesse de uma determinada classe, isso se torna por demais perigoso. 
B - Já há grande interesse nos partidos não evangélicos em colocar no seu partido pessoas que fazem parte dessa grande massa, é claro, não estão interessados nos seus valores cristãos, mas simplesmente em aumentarem a legenda dos seus partidos. Assim, todos acabam se tornando massa do mesmo pão, em que o fermento da hipocrisia e do dinheiro fala mais alto. Cada evangélico deve ter em mente que o sonho messiânico não se realiza por alguém ser da direita ou da esquerda, isso porque, pelo processo transitório da alternância do poder, qualquer um pode ser um bom ou péssimo presidente ou político de carreira, isso tem se configurado no cenário político do nosso país já de longa data. Existem candidatos evangélicos que estão concorrendo às eleições por partidos políticos esquerdistas. É o cúmulo do absurdo, mas já vi “evangélico” candidato por partido comunista querendo os votos dos evangélicos. Isso é uma afronta à inteligência de quem é evangélico de verdade, mas essas aberrações acontecem nos tempos de pedir votos nos templos evangélicos. 
C - Pode um comunista dizer que é crente e subir nos púlpitos das igrejas evangélicas para pedir votos? Nem os verdadeiros Cristãos evangélicos devem fazer isso. O púlpito não é palanque de comícios, o púlpito deve ser respeitado como local sagrado de ministração da palavra de Deus. Comícios e shows políticos devem ser feitos fora dos templos. Então quando chegar um político que está imbuído de algum cargo e vier como uma autoridade, como deve ser o procedimento das igrejas? O político ou autoridades de qualquer órgão público deve ser recebido como autoridade e com as honras de autoridade. Pode até ser convidado para dar uma saudação aos presentes num culto o festividades da igreja sem se referir a pedidos de votos para quaisquer candidatos; mas se chegar qualquer pessoa candidato aos milhares de cargos eletivos, não se deve dar oportunidades para dirigir a palavra ao povo, deve ser feita a apresentação de tais candidatos de diversos partidos, pelo ministrante da reunião e mencionar o nome, o cargo que o político está concorrendo e o partido que o político está ligado, somente isso, campanha política não deve ser feita nos púlpitos das igrejas, devem serem feitas do lado de fora da igreja em qualquer outro lugar. O alerta de Deus está bem explicado nos Salmos 50:16-20 que diz: 16. Mas ao ímpio diz Deus: Que tens tu que recitar os meus estatutos e que tomar o meu concerto na tua boca, 17. pois aborreces a correção e lanças as minhas palavras para detrás de ti? 18. Quando vês o ladrão, consentes com ele; e tens a tua parte com adúlteros. 19. Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano. 20. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe. 
1 - Os candidatos evangélicos postulantes à alguma vaga na política, não podem agir nem pensar corporativamente no aspecto político, ou seja, não podem e nem devem ser candidatos denominados de “candidato oficial da igreja”, antes devem ter uma postura que priorize a realidade de sua comunidade, sem serem apenas sonhadores, vão concorrer como servos de Deus e para representar bem as suas comunidades que os eleger. Os evangélicos, precisamente os candidatos, precisam de discursos não apenas teóricos, mas que sejam realmente mobilizadores, que reflitam os valores familiares como defesa da vida, segurança, honestidade, justiça, igualdade. Devem ser exemplo de suas qualidades antes, durante e depois das eleições.
2 - Para que os candidatos evangélicos tenham aceitação do seu público é necessário que as vidas dos mesmos sejam marcadas por procedimentos morais irretocáveis, têm que ser ficha limpa. Precisam defender de fato os bons usos e costumes e valores, inclusive da família, não tendo esse assunto como um chavão, mas que busque fazer isso com fundamentos legais e verdadeiros, com bases bíblicas históricas, ressaltando a importância da família no seu processo social existencial e histórico. Sem a família sendo valorizada não tem motivos para um candidato evangélico ser candidato e pedir votos nas igrejas evangélicas, porque a família é “a célula máter da sociedade”, principalmente da igreja. 
3 - Tanto os candidatos evangélicos como os outros, precisam entender aquilo que faz parte de uma ação eclesiológica, religiosa e aquilo que não faz, daí a necessidade de se fazer distinção entre o valor moral de um povo e a legislação pertinente; saber isso é importante porque existem ações que vão depender do pastor, do seu ensino, de sua prática pastoral, mas outras são questões atinentes propriamente às leis do país, por exemplo, no tocante à pobreza, o que se deve fazer é lutar por reformas estruturais que diminua a má distribuição de renda, que dê maior qualidade de vida para os menos favorecidos e estas ações estão no caráter social das igrejas evangélicas como um todo. Um político evangélico pode lutar por ideias justas, claro, não por sua autoridade religiosa, mas pelos princípios bíblicos que lhe movem, não por causa da sua religião mas visando boas práticas sociais dentro e fora dos templos evangélicos e em todo tempo não só na época das eleições ou próximo à estes períodos eleitorais, essas mudanças no aspecto econômico e social devem nortear a vida dos políticos mas principalmente a coletividade evangélica. 
4 - Na verdade, o que se pode propor é que haja uma conscientização política no meio evangélico para que se faça distinção entre pessoas e questões políticas, a fim de que não se faça discursos de ataques e menosprezos a qualquer pessoa por causa do seu partido. Precisamos entender que política é mais do que eleição, ela envolve diversos processos, o que requer da comunidade evangélica uma ação conscientizadora, pensante, reflexiva, daí a necessidade de palestras, encontros, seminários sobre o assunto, visando um crescimento coerente e bem ajustado, para que se ele estiver no meio deles, saiba proceder como Paulo, (1 Co 9.22). 
5 - Não se pode votar em evangélico apenas por ser evangélico e nem em quem não é evangélico só por causa dos discursos bonitos que encantam qualquer um. Muito mais que isso, é necessário que ele seja modelo de vida, que tenha boas propostas, ideias que possam influenciar a sociedade para o bem. Que seja alguém capaz de trabalhar para que haja mudança de vida e gere no povo a esperança e a confiança necessárias para ser considerado um bom político. Jamais o candidato evangélico deve procurar impor sua crença ao povo, sua moral, antes por sua postura, por seu exemplo, deve evidenciar a todos que os valores cristãos estão também interessados no bem-estar da sociedade. É claro também que isso não invalida a sua obrigação de pregar a palavra de Deus, obedecendo o Ide de Jesus. 
6 - As Igrejas e Convenções Evangélicas, no quesito de apresentar um candidato que vai concorrer a qualquer cargo eletivo, devem ater-se à vida, postura, conhecimento, ética e bom testemunho do candidato, não somente em sua comunidade, mas nas de fora também (1 Tm 3.7). Quando os evangélicos, por meio de seus representantes, desenvolverem políticas sociais sérias, que beneficiem a todos, expressando uma vida exemplar, os louvores dos de fora continuarão a crescer, mas isso só irá acontecer quando cada cristão, conscientemente votar em homens que desejam realmente fazer a justiça, que não pensam em si mesmos, mas que ajam baseados nos pilares da humildade e da verdade, não em compra de votos. 
7 - A honestidade deve ser o referencial do crente político. A honestidade na Bíblia é apresentada como um mandamento fundamental e reflexo do caráter de Deus, que é a verdade, na vida do cristão. Envolve integridade, sinceridade e justiça, proibindo mentiras, roubos e falsos testemunhos. A Bíblia ensina que ser honesto é mais valioso que riquezas e agrada a Deus, mesmo que traga desafios temporários. (1) Os princípios de honestidade na Bíblia são vários. (2) Deus se agrada da integridade em tudo. (3) Deus se agrada da honestidade, pois Ele é o Deus da verdade e a Bíblia nos ensina que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. (4 O cristão deve abandonar a mentira e falar a verdade ao próximo. (5) A "Balança Justa" de Deus valoriza tudo o que fazemos e o honesto e detesta pesos e medidas falsos ou desonestidade nos negócios são condenados por Deus. (6) A Justiça e ser justo é um sacrifício constante. Fazer justiça e agir com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer sacrifícios de forma hipócrita. (7) A mentira é Abominação e traz condenação. Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, enquanto palavras verdadeiras permanecem para sempre. (8) A verdade é o mínimo que se espera do verdadeiro cristão sendo político ou não. (9) Com amor e com honestidade deve ser guiada a vida daqueles que amam a Deus. É pelo amor incondicional não sendo apenas uma forma de evitar o mal, mas um reflexo de amor a Deus e ao próximo que revelamos nossa fé em Deus no meio da sociedade. 
8 – O que a Bíblia diz sobre honestidade. (1) Provérbios 11:1: "A balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer”. (2) Efésios 4:25: "Portanto, abandonem a mentira e digam a verdade a seu próximo, pois somos todos parte do mesmo corpo”. (3) Provérbios 19:1: "Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o de lábios perversos e tolo”. (3) Hebreus 13:18: "...queremos ( e devemos) nos comportar honestamente em todas as coisas”. (4) Lucas 16:10: "Quem é fiel no pouco também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco também é desonesto no muito”. 
9 - A Bíblia também alerta que a desonestidade, embora possa parecer vantajosa inicialmente, leva à ruína e atrapalha a comunhão com Deus, enquanto a honestidade atrai a bênção divina e protege o homem íntegro. Já vi muitos irmãos em Cristo que eram uma benção na igreja e na comunhão dos santos nunca faltavam mas depois que ingressaram na política, a política passou a ser religião deles. Uns deram mal exemplo e nunca mais deram conta de levantar, mas uns poucos foram lá no meio dos políticos, deram bons exemplos e voltaram em paz para suas igrejas e suas famílias. 
10 - Crentes podem se envolver com política, crentes podem ser políticos? Não há proibição bíblica e a participação é vista como forma de exercer cidadania e influenciar a sociedade com valores éticos e morais decentes. A atuação deve ser focada no serviço público, integridade e vocação, sem usar a igreja como curral eleitoral ou filiar-se a ideologias que contrariem a fé. Existem pontos importantes sobre o tema que devem ser observados. (1) Exemplos Bíblicos, tais como de José, Daniel, Neemias e Ester que ocuparam altos cargos públicos, demonstrando a possibilidade de atuar na política sem se contaminar com coisas ilícitas. (2) O papel do Cristão sempre deve ser exemplo dos fiéis em qualquer cargo eletivo ou não que ocupe na política. O envolvimento é visto por muitos como um chamado para atuar na sociedade, apresentando respostas baseadas na Bíblia para questões sociais, dentre tantas outras. (3) A diferença que existe entre igreja e estado é muito grande. A igreja, como instituição religiosa, não deve se envolver em política partidária, mas os crentes, como indivíduos, podem e devem participar para ser o diferencial de honradez no meio de uma sociedade corrompida. 
11 – A ética e a vocação do cidadão crente para a política sempre demonstra a qualidade do serviço social que ele presta à sociedade. A política deve ser vista como uma vocação de serviço, exigindo preparo intelectual e compromisso com ética, evitando a corrupção e a busca por poder pessoal. (1) Os riscos que um crente político corre é de se contaminar com o meio sujo da política A polarização política pode gerar divisões dentro da igreja, sendo necessário cautela para que o Evangelho não seja confundido como interesses pessoais e partidários. A participação é encorajada para a promoção da justiça, desde que o político cristão mantenha seus valores e não se corrompa. 
12 - Um cristão deve se envolver em política Sim, o cristão informado deve se envolver em política. Política no sentido geral é trabalhar para o bem comum da sociedade. Política pode envolver ajudar as pessoas em necessidade, alertar as autoridades e ajudar a resolver problemas ou até trabalhar no governo. A Bíblia nos chama a cuidar dos outros e a ser uma bênção em tudo o que fazemos, (Tiago 1:27). (1) Todo crente pertence ao Reino de Deus, mas isso não significa que não pode se envolver na política do seu país, do seu estado, do seu município. O cristão, enquanto vive aqui na terra, tem dupla nacionalidade. Isso significa que tem direitos e deveres para com o seu país terrestre e com o seu país eterno. (2) Ignorar a política numa sociedade democrática é irresponsável. Como cidadãos temos o poder para escolher quem vai governar. Se não fizermos isso também não temos direito de queixar quando um governador, prefeito ou até mesmo um presidente ruim é eleito, porque o nosso voto podia ter colocado uma pessoa mais honesta no seu lugar. É também o dever de todo o cidadão crente exigir que seus governantes sejam íntegros e cooperar com eles para melhorar a sociedade, (1 Pedro 2:13-14). 
13 - O cristão deve votar em quem acredita que vai fazer o melhor para a sua sociedade. Antes de votar é muito importante analisar com cuidado as opções e o que cada candidato pretende fazer, não só a sua propaganda, (1 Tessalonicenses 5:21). (1) Por exemplo, um candidato pode ser muito carismático mas seus planos podem estar completamente desajustados com as necessidades do povo. Também é muito importante orar e pedir orientação a Deus na sua escolha. E mesmo que seu candidato não ganhe, ore pelo governo, para que seja sábio e traga paz, (1 Timóteo 2:1-2). Foi Deus que deu autoridade ao governo mas se deixarmos Deus de fora, quem fica com a autoridade é o diabo. 
14 - O Cristão pode ser político ativo ou participar ativamente da política. Um cristão, qualquer Cristão pode ser político sim se esse for o seu chamado. Tal como qualquer outra profissão, a política tem muita corrupção. O cristão que entra nesse meio precisa ser um exemplo de integridade, de honestidade, de fidelidade, pedindo sempre forças a Deus para sempre fazer o que é correto. Como crente, você também pode fazer campanha de maneira honesta, sem mentir nem fazer luta suja contra outros candidatos. Não podemos esperar que ímpios sigam a vontade de Deus, por isso é muito importante formar crentes fortes e prontos para fazer a diferença no meio da política. 
15 - Temos vários casos na Bíblia de homens e mulheres de Deus envolvidos na política, até mesmo em países ímpios como o Egito (José) e a Babilônia (Daniel, Neemias). Esses homens tinham um dom para governar e foram usados de maneira poderosa por Deus. Também na História secular temos casos de bons políticos cristãos. Dois exemplos foram Abraham Lincoln dos Estados Unidos e William Wilberforce na Inglaterra, que aboliram a escravatura em seus países. Se você tem um dom para economia e seu país está em crise, porquê não servir como Ministro da Economia? O mesmo se aplica a qualquer outro cargo político. Deus recompensa os íntegros, que fazem um bom trabalho (Salmos 37:37). 
16 - Ser cristão não qualifica ou desqualifica ninguém para ser político, tal como não qualifica para ser arquiteto ou qualquer outra profissão. É preciso formação adequada. Também não é bom um líder de igreja ocupar cargos políticos, daí a coisa já é diferente. Qualquer crente, pastor ou que tenha algum cargo na igreja, deve se desincompatibilizar ou seja, deve deixar o seu cargo na igreja, mesmo que seja o de pastor principal da igreja, se você for eleito então você vai para sua repartição assumir o seu cargo, se não for eleito você volta para a igreja e fica aguardando para ser reintegrado no seu cargo. Esses são dois trabalhos muito exigentes e um ficará prejudicado. É melhor ter um ministério de cada vez. A Igreja pode ensinar sobre a importância da política mas não deve tomar partidos e nem ser curral fechado de votos para nenhum candidato. A escolha é individual, o voto é secreto, e cada um deve orar e pedir a direção de Deus para votar certo, e assim de acordo com a consciência de cada um, será eleito o melhor. 
17 – (1) José não caiu de paraquedas lá no trono do governo do Egito. Ele pagou um preço muito alto de fidelidade a Deus. (2) Davi não caiu de paraquedas lá no trono do trono de Israel, ele também pagou um preço muito alto. (3) Não há nada na Bíblia que proíba que um cristão se candidate e exerça uma função política. A verdade de que a Igreja, como organização, não deve se envolver com política, e isso não significa que os cristãos são proibidos de ocuparem cargos públicos. (4) A Bíblia registra as histórias de muitos homens e mulheres de Deus que passaram boa parte de suas vidas inseridos num ambiente político. Essas pessoas ocuparam cargos públicos ou exerceram, de alguma forma, uma posição política muito influente. Inclusive, muitos foram levantados por Deus num contexto de crise. 
18 - Podemos falar aqui de José, governador do Egito, de Daniel, de Neemias, de Ester e tantos outros. Todos eles tiveram em comum a condição de que jamais se corromperam e sempre honraram os princípios morais determinados por Deus. Portanto, os cristãos podem e devem ser políticos, mas devem fazer isto na qualidade de cidadãos e não como representantes da Igreja, lá eles vão demonstrar a diferença de quem serve a um Deus vivo de verdade. 
19 - Como deve ser a atuação do cristão na política? Ao mesmo tempo em que o cristão não abre mão de sua fé e de seus princípios para ser político, ele também não deve distorcer seu cargo público para exercer funções eclesiásticas. Isso significa que num plenário político o cristão não age como pastor, presbítero ou diácono, mas como cidadão que presa pela moral, pela ordem e pelos bons costumes. Infelizmente nos últimos tempos essa associação tem trazido prejuízo à imagem do povo de Deus. Muitas pessoas mal intencionadas tem usado a comunidade cristã para impulsionar sua vida política e envergonhar o Evangelho. Aliás, se um pastor local permite campanha eleitoral em sua congregação, além de ele estar traindo o seu chamado ministerial, também está cometendo crime contra a lei eleitoral. 
20 - A Igreja não deve fazer campanha política, mas ela deve instruir e conscientizar os seus fieis acerca de como entender a política à luz da Bíblia Sagrada. Se um cristão quer seguir carreira na política, ele deve ter vocação para isto e se preparar para exercer seu cargo. Nesse sentido a Igreja pode auxiliá-lo fornecendo preparo no que diz respeito à cosmovisão cristã, para que ele exerça sua função com excelência. (1) Quer dizer então que pastor pode ser político? Esta é uma questão muito debatida e existem diferentes posicionamentos a respeito. De qualquer forma parece ser inadmissível a condição de pastores que querem combinar o exercício do pastorado e suas funções políticas. Ao fazerem isto, essas pessoas erram contra a sociedade em geral e contra a própria comunidade cristã. (2) Se um pastor quiser se candidatar e exercer um cargo político, o correto então é que ele decline de seu ministério pastoral e dedique-se a sua nova função. Quando o apóstolo Paulo aconselhou a Timóteo acerca do pastorado, ele deixou claro o quanto esse ministério exige do obreiro, (2 Timóteo 2:3,4). (3) Não há como conciliar pastorado e política, pelo menos não corretamente. O pastor deve ter ciência da tamanha honra que lhe fora confiada na ministração da Palavra de Deus e na administração das ordenanças de Cristo à Igreja e definitivamente nada deve competir com essa função. 
21 - Embora o contexto seja outro, aqui podemos lembrar de um episódio registrado no livro de Atos. Os apóstolos se viram envolvidos na questão do assistencialismo às viúvas na Igreja Primitiva. Então os doze convocaram à comunidade cristã e deram o seguinte parecer: “Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas”, (Atos 6:2). Cremos que esse seja um bom conselho àqueles que pensam poder exercer simultaneamente o pastorado e o cargo político. 
22 – Escândalo de crentes na política têm causado muitos prejuízos ao Reino de Deus. A atuação de pastores e líderes evangélicos na política têm sido um desastre, com raras exceções, pois não são poucos os escândalos. A atuação de líderes religiosos e políticos ligados a igrejas (especialmente evangélicas neopentecostais) na política brasileira tem sido marcada por diversos escândalos, envolvendo acusações de corrupção, manipulação e desvios de conduta, o que gera debates sobre a mistura entre fé e poder. Aqui estão alguns dos principais casos e contextos recentes sobre o assunto. (1) Escândalo do "Gabinete Paralelo": Investigações dão conta de que pastores atuavam como lobistas. Eles controlavam a agenda e a liberação de verbas até de ministérios durante a gestão de líderes evangélicos. Atuavam também pedindo propina em dinheiro e até em ouro a políticos investidos de cargo público em troca de recursos. O escândalo ficou conhecido pela denúncia de compra de literaturas superfaturadas e pedidos de propina que incluíam até ouro. (2) Fraudes e Envolvimento de Igrejas com investigações que apontaram o envolvimento de grandes denominações religiosas e pastores em esquemas de fraudes. Envolvendo desvios que chegaram à cifra dos milhões. Nomes de pastores e igrejas foram citados na lista divulgada após pressões. (3); As Investigações abriram apuração sobre supostos desvios de dinheiro por parte de ex-diretora da liderança de uma grande igreja. (4) Rachadinhas e uso político da religião quando parlamentares da chamada "bancada da Bíblia" são frequentemente investigados por "rachadinhas”, que é a apropriação de parte do salário de seus assessores, lavagem de dinheiro e uso da fé como escudo político. (5) Pressão por votos e perseguição interna em eleições que segundo relatos indicaram que pastores e líderes religiosos ameaçaram com castigos divinos ou punições internas a fiéis que não apoiassem a reeleição de seus candidatos preferenciais gerando um ambiente de perseguição dentro de templos. (6) Líderes foram investigados e muitas controvérsias macularam figuras influentes em seus pleitos na defesa dos seus candidatos preferenciais, eles enfrentaram diversas denúncias ao longo dos anos, desde importação fraudulenta de equipamentos até envolvimento em polêmicas sobre posicionamentos morais. (7) Esses casos têm gerado um "desencanto" de parte dos fiéis e debates sobre a ética no uso da religião para obtenção de poder e dinheiro. Da política para os púlpitos aconteceu o contrário porque líderes evangélicos que agiam como se fossem donos das suas denominações, causaram grandes prejuízos ao Reino de Deus e às suas denominações, causaram derrotas e divisões porque agiram para tirar proveito próprio. Aqueles que lutaram, e graças a Deus foi a maioria, pela verdade do Evangelho puro e verdadeiro, saíram desses embates muito mais fortalecidos diante de Deus e da sociedade, porque foram para os debates com a verdade da palavra de Deus. Esses valores obreiros, assim como o Apóstolo Paulo e cada um a seu tempo, defenderam a fé em Jesus Cristo como nosso Único e suficiente Salvador de nossas almas. João 3.16. João 10.10. Lembre-se que o crente, o pastor, o servo de Deus deve ser fiel e nunca se mancomunar com os mentirosos. Jesus pagou um alto preço pela sua salvação, não se venda de forma nenhuma, você foi chamado para ser luz no meio das trevas. 
23 - No contexto da apologética do apóstolo Paulo diante de um iminente conflito espiritual vivido em sua trajetória ministerial, o Apóstolo Paulo, que antes da sua conversão era conhecido no meio político e social como Saulo de Tarso, era respeitadíssimo com relação à sua formação diante dos pés de Gamaliel e tinha todos os documentos e referenciais de um cidadão Romano e aparentemente era um cidadão rico e possuidor de muitos bens de família. Foi político, foi Apóstolo sem se desviar do propósito do seu chamado para o ministério. 
24 - A Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios é, possivelmente, a mais pessoal e emocional de todas as cartas do apóstolo Paulo. Nela, ele abre o seu coração, revelando as profundas angústias, as alegrias sinceras e a paixão zelosa que sentia pela igreja que fundou em Corinto. Os capítulos 10 a 13, em particular, formam uma seção intensamente apologética, onde Paulo é compelido a defender a sua autoridade apostólica contra os ataques de falsos mestres que haviam se infiltrado na comunidade evangélica. 
25 - Esses opositores, a quem Paulo ironicamente chama de "superapóstolos" (2 Co 11:5), utilizavam critérios mundanos para avaliar o ministério. Eles se promoviam com base em sua eloquência, sua aparência imponente e suas credenciais humanas. Em contraste, eles diminuíam Paulo, acusando-o de ser fraco e desprezível em sua presença física, embora ousado e severo apenas à distância, por meio de suas cartas. É nesse cenário de conflito que o capítulo 10 se inicia. Paulo não está travando uma batalha por seu ego, mas pela pureza do Evangelho e pela saúde espiritual da igreja de Corinto. Ao defender seu ministério, ele estabelece princípios atemporais sobre a natureza da guerra espiritual, o perigo do julgamento superficial e a verdadeira medida do sucesso aos olhos de Deus. 
26 - A natureza da guerra espiritual que Paulo enfrentou, (v. 1-6).v Paulo inicia sua defesa com um apelo pessoal, mencionando a “mansidão e benignidade de Cristo” (v. 1). Ele se apresenta de forma humilde, ecoando o caráter do Mestre. Contudo, essa humildade não deve ser confundida com fraqueza. Ele aborda diretamente a acusação de que ele agia “segundo a carne”, ou seja, com motivações e métodos humanos. O cerne de sua argumentação se encontra nos versículos 3 a 5, que contêm um dos mais importantes ensinamentos sobre o combate espiritual em todo o Novo Testamento: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo”. (v. 3-5). 
27 - Lute as batalhas certas com as armas certas: A igreja não avança por meio de estratégias de marketing, poder político ou debates raivosos nas redes sociais. Essas são armas carnais. A verdadeira batalha é espiritual, travada contra fortalezas ideológicas e espirituais. Nossas armas são a verdade do Evangelho, a oração perseverante, a santidade pessoal e a proclamação fiel da Palavra de Deus. Devemos nos concentrar em levar cativo o nosso próprio pensamento e o de outros à obediência de Cristo. Valorize a substância em vez da aparência: Em uma cultura obcecada pela imagem, somos constantemente tentados a julgar líderes e ministérios por sua aparência, carisma, número de seguidores ou qualidade de produção. Paulo nos chama a olhar para além do superficial. Devemos valorizar a fidelidade doutrinária, a humildade de caráter, o amor sacrificial pelo rebanho e a paixão pela edificação dos santos. 
28 - Encontre contentamento em seu chamado: O veneno da comparação ministerial é tão mortal hoje quanto era em Corinto. Medir nosso valor ou sucesso comparando-nos com outros é, como diz Paulo, "sem entendimento". Cada crente, no exercício do sacerdócio universal, recebeu do Senhor uma esfera de influência, um chamado. Seja ele grande ou pequeno aos olhos do mundo, nossa responsabilidade é ser fiel dentro dos limites que Deus nos designou, servindo com integridade e diligência. Busque a aprovação de Deus, não a dos homens: A motivação final de todo serviço cristão deve ser a glória de Deus. A pergunta que deve guiar nossas ações não é "O que as pessoas pensarão?", mas "Isto agrada ao Senhor?". Quando nossa identidade está firmada em Cristo e nossa satisfação está em Sua aprovação, somos libertos da tirania da opinião pública e da ansiedade paralisante de ter que nos autopromover. Nosso maior testemunho é uma vida que aponta para Ele, para que, em tudo, o Senhor seja glorificado. 
29 - Em 2 Coríntios 10, o apóstolo Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, transforma uma defesa pessoal diante das autoridades como Festo e Agripa, em Atos 25 e 26 em um manifesto atemporal sobre a natureza do verdadeiro ministério cristão. Ele nos ensina que a autoridade espiritual não se manifesta com arrogância, mas com a mansidão de Cristo; que a guerra espiritual é vencida com o poder de Deus, não com a sabedoria humana; e que a verdadeira glória não é encontrada na “autoexaltação”, mas em se gloriar unicamente e exclusivamente no Senhor Jesus e na glória do Seu poder. 

Deus abençoe você e sua família. 

Pr. Waldir Pedro de Souza 
Bacharel em Teologia, Pastor e Escritor.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

NÃO EXISTE IGREJAS EVANGÉLICAS SEM DEFEITOS

NÃO EXISTE IGREJAS EVANGÉLICAS SEM DEFEITOS


I - Não existe igrejas evangélicas sem defeitos e nem santas demais. Cada uma a seu tempo demonstra o caráter do seu povo, mas principalmente das suas lideranças. A prova desta afirmação está no texto bíblico que registra as sete igrejas da Ásia, no livro de Apocalípse. As sete igrejas da Ásia registradas em Apocalípse capítulos 2 e 3 eram igrejas normais como todas as outras, umas com mais defeitos e outras com menos, mas todas tinham algum ou alguns defeitos. Igualmente as igrejas evangélicas conservadoras e até as pentecostais e neopentecostais dos nossos dias têm defeitos cujos defeitos podem ser considerados até alarmantes ou não pelo envolvimento mais ou menos com o pecado, lembrando que pecado é tudo aquilo que desagrada a Deus. 
II - Assim como as sete igrejas da Ásia tinham defeitos, as de hoje também os teem e dependendo da liderança e ou da administração, são, às vezes, igrejas que envergonham o evangelho. A igreja de hoje é definida não pelo edifício e construções ou pelo status social, mas como a comunidade dos fiéis ("ekklesia"), são consideradas como povo de Deus em plena comunhão com o Espírito Santo de Deus. Servindo como coluna da verdade em uma sociedade secularizada. Enfrentam desafios de relativismo e oposição cultural, precisando manter sua identidade Cristã, influência como sal e luz, e foco na adoração genuína à Deus, voltando à essência bíblica e à comunhão, em vez de focar literalmente e apenas no antropocentrismo. 
III – Os principais aspectos da igreja contemporânea são: (1) A igreja é formada pelas pessoas, o corpo de Cristo, não pela estrutura física. Ela é chamada a ser "coluna e baluarte da verdade" em um mundo de valores relativizados. (2) Enfrentando o secularismo e um ambiente social de hostilidades velada e inversão de valores, com o homem secular sendo valorizado no lugar de Deus, querendo ser Deus. (3) É incentivada pelo mundanismo à perda da Essência do Evangelho. Há um risco de focar no "Deus das bênçãos" em vez do próprio Deus, e em glorificar o homem em vez de exaltar única e exclusivamente a Deus. (4) Perderam a essência do Espírito Santo e as raízes do Cristianismo. A falha diante da falta do conhecimento de preceitos bíblicos sólidos gera cristãos frágeis diante das provações. Muitos estão mais propensos a cair do que preparados para permanecer de pé e se porventura, acidentalmente, cair, tem força para levantar. 
A – Há um esquecimento deliberado do papel e da identidade da igreja e do que a igreja deve ser. (1) Já não há tanta influência da simplicidade do Evangelho. Esquecem de agir como sal da terra e luz do mundo, influenciando a sociedade através da conduta ilibada e de uma conversão de fato, fazendo de seus membros luzeiros para brilhar nas densas trevas de um mundo totalmente perdido. (2) A igreja deve ser uma comunidade do perfume de Cristo e do Evangelho do Senhor Jesus que salva o mais vil pecador. A igreja moderna esqueceu de viver o amor de Deus em primeiro lugar. Viver uma verdadeira comunhão (koinonia), exemplificada na igreja primitiva, com estudo da palavra, nas orações e no "partir do pão".
B - Existe uma tal de identidade alternativa que é só enganação para desvirtualizar a verdadeira característica da verdadeira igreja. Na verdade é mais provocativa do que o ser uma comunidade que reflete a verdade do Senhor Jesus. Este movimento é um "novo mundo", pregam o reino de Deus, agindo até com aparente ética social e amor ao próximo, mas são liberais demais no quesito das doutrinas principais do que é uma igreja em que o Espírito Santo de Deus teria liberdade de operar porque os olhos altivos dos líderes desses movimentos são voltados somente para a ganância pessoal de enriquecimento ilícito. 
C – Há uma necessidades urgente de mudança de procedimentos de auto avaliação. A igreja precisa passar por um teste de rever seus conceitos do que é uma igreja de verdade, já que muitas estão mais para clubes sociais para não se perder na cultura contemporânea. Deveriam retomar os preceitos, princípios e valores bíblicos para serem uma comunidade que realmente faz a diferença como casa de oração. 
1 - Em suma, a igreja de hoje é chamada a ser uma comunidade fiel e relevante, que resiste à secularização através da vivência autêntica do evangelho e da oração. As Igrejas evangélicas conservadoras e pentecostais também teem muitos defeitos como todas as outras, porém teem também tantas virtudes as quais superam seus defeitos. Estas igrejas procuram corrigir suas falhas e seus líderes e membros exercem uma vigilância de uns para com os outros e quando se acumulam os problemas, geralmente há convenções e reuniões de ministérios e ministros para a solução de tais problemas. As igrejas evangélicas conservadoras e pentecostais no Brasil, apesar de possuírem distinções teológicas e litúrgicas, compartilham uma série de virtudes e características que contribuíram para o seu rápido crescimento e impacto social. 
2 – As virtudes das Igrejas Evangélicas conservadoras e pentecostais são muito forte e possuem uma identidade Bíblica e Doutrinária inconfundível. Ambas as vertentes enfatizam a autoridade suprema da Bíblia, a salvação pela graça através da fé, e o sacerdócio universal dos fiéis. Existe uma experiência comunitária de acolhimento para os menos favorecidos. As igrejas pentecostais, em particular, criam fortes laços comunitários através da adoração com conotação espiritual, orações fervorosas e um ambiente acolhedor que busca atender às necessidades espirituais e emocionais dos fiéis. 
3 – Há uma forte valorização da experiência espiritual pentecostal, e valorizam a busca pela vida cheia do Espírito Santo, os dons espirituais, como curas, profecias e dom de línguas, como algo presente e operante no dia a dia da igreja. Estão muito focadas na família e nos valores morais geralmente conservadoras. As igrejas conservadoras enfatizam a manutenção de tradições bíblicas ortodoxas, crenças sólidas e a defesa da família tradicional. 
4 – Trabalham muito a questão da ação social e assistencial também voltados ao evangelho pentecostal. Muitas igrejas pentecostais desempenham um papel relevante na prestação de assistência social, preenchendo lacunas sociais, especialmente em comunidades mais carentes. São igrejas acolhedoras e visam a mudança de vida das pessoas. A "mudança espiritual" é apontada como um dos principais impactos positivos, trazendo nova perspectiva de vida, disciplina e esperança para muitos fiéis. 
5 – No quesito do protagonismo político e social, o crescimento dessas igrejas trouxe maior representação política, com foco na defesa dos valores costumes cristãos e influência no cenário público. Muito embora haja comunhão espiritual entre estas igrejas, existem diferentes objetos a serem alcançados. (1) Os pentecostais enfatizam mais o batismo com o Espírito Santo, a batalha espiritual, a cura divina e dons espirituais. (2) Os conservadores focam mais na doutrina bíblica tradicional, estudo aprofundado e, muitas vezes, têm uma liturgia mais formal. (3) O pentecostalismo, em especial, tem uma capacidade notável de encantar o mundo, oferecendo uma experiência religiosa viva e tangível em face de tamanha secularização e distanciamento dos princípios e valores da igreja primitiva de Atos dos apóstolos.
6 – Há muitos exemplos de diferentes igrejas de acordo com a época e seus líderes e membros; cada época, cada tempo, cada momento da igreja elas foram molhadas para viver o mais próximo da realidade das doutrinas principais do Evangelho. (1) Éfeso (Apocalipse 2:1-7) tinha muitos defeitos. Mas o principal defeito daquela igreja era que havia abandonado o seu primeiro amor. (2:4). (2) Mas o que é abandonar o primeiro amor? A queixa que o Senhor faz é o fato de que esses crentes haviam abandonado o primeiro amor. A palavra grega “aphiemi”, é traduzida como “abandonar” neste texto bíblico, tem um significado bem abrangente. A Concordância de historiadores define esta palavra da seguinte maneira: “enviar para outro lugar; mandar ir embora ou partir; de um marido que divorcia sua esposa; enviar, deixar, expelir; deixar ir, abandonar, não interferir; negligenciar; deixar ir, deixar de lado uma dívida; desistir; não guardar mais; partir; deixar alguém a fim de ir para outro lugar; desertar sem razão; partir deixando algo para trás; deixar destituído”. Essas expressões refletem, não uma perda que possa ser denominada como sendo meramente acidental, mas um ato voluntário de abandono, de descaso. (3) O Senhor Jesus tampouco está exortando esta igreja por não O amarem mais! Não se tratava de uma ausência completa de amor, pois ainda havia amor. No entanto, o amor deles havia perdido a sua essência, a sua intensidade e não era mais o amor que Ele esperava encontrar neles. 
7 - Esmirna (Apocalipse 2:8-11) – Muito embora fosse uma igreja agradável, era a igreja que sofreria perseguição por haver se juntado ao estado, e quando isso acontece em qualquer época, a igreja fica subserviente ao estado e à política. O resultado era e é que quem manda ou quem mandava na igreja eram os líderes políticos travestidos de religiosos. (2:10). (1) O Cristianismo surgiu no contexto de uma relação tensa entre os Judeus e o Império Romano. Jesus ensinou claramente o princípio da separação entre os dois reinos com a célebre declaração de Mt 22:21: “Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. No seu nascimento e na sua morte, Jesus experimentou a ira dos poderes constituídos de (Mt 2:3,13; 27:2,11,37; Lc. 23:2,8-12), porém o seu maior conflito foi com o sistema religioso, não com o sistema político, mesmo que a liderança politizada era muito forte. Outras referências aos governantes nos evangelhos são encontradas em: Mt 20:25-26; Lc 2:1-2; 3:1-2,19; 13:32; Jo 18:36; 19:11. (2) A atitude predominante de Atos é simpática às autoridades romanas. Procura-se eximi-las da responsabilidade pela morte de Jesus (2:23; 3:13,17); quando as autoridades perseguem os cristãos, é por instigação dos judeus, segundo eles (13:50; 14:5; 17:5-9);porém os cristãos são pacíficos e cumpridores da lei: eles são perseguidos injustamente, (16:19-22, 35-39; 18:12-16); em várias ocasiões, as autoridades os defendem, (19:35-40; 21:31-36; 22:25-29; 23:21-24); Mas Paulo reconhece a autoridade de César para julgá-lo (25:10-12). (3) As epístolas recomendam uma atitude de obediência às autoridades e intercessão por elas: Rm 13:1-7; 1 Tm 2:1-2; Tt 3:1; 1 Pe 2:13-14. Porém, em Apocalipse 13 o Império Romano é identificado com a besta que persegue os cristãos. O compromisso maior dos cristãos é com Cristo, o Senhor (Fp 2:11); a sua verdadeira pátria está nos céus (3:20). Isso relativiza a importância do estado e de todas as instituições humanas. 
8 - Pérgamo (Apocalipse 2:12-17). A igreja que precisava se arrepender por vários motivos. (Ap.2:16). (1) Como nós somos capazes de professar uma coisa e praticar outra? Isso é um escândalo aos olhos dos incrédulos. O escândalo da igreja de Pérgamo ecoou pelos séculos e chegou forte até em nossos dias e estes péssimos exemplos estão destruindo vidas quando não, lançando-as no inferno. (2) Podemos dizer que Pérgamo era uma igreja que pregava uma coisa e, na maior parte do tempo, praticava outra bem diferente. O pecado da igreja de Éfeso era a intolerância sem amor e o de Pérgamo era a tolerância sem arrependimento e sem ressentimento de ver as pessoas caminhando com passos largos para a perdição. O desafio para a igreja de Pérgamo continua sendo o mesmo desafio para as igrejas de nosso tempo em como professar a verdade e não praticar ou tentar esconder o erro? (3) Como enfrentar o martírio e permanecer fiel diante do mundanismo? Como confessar a verdade e se comportar segundo a verdade? Como ser puro na doutrina e no dia-a-dia? Como ser fieis sem fraquejar? Continuamos em busca de respostas, mas Jesus Cristo é a resposta e através do Espírito Santo nos guiará no bom Caminho. (4) A postura recomendada por Deus para os seus fiéis é que Ele, Jesus é a Verdade que liberta o mais vil pecador. De uma coisa o povo de Deus precisa estar certo, Deus conhece todas as coisas. Deus conhece todas as nossas obras, (Éfeso Ap 2.2), Ele conhece o nosso sofrimento (Esmirna Ap 2.9) e conhece também toda a nossa trajetória de vida Cristã e o nosso contexto, (Pérgamo Ap 2.13). Ele conhece as nossas motivações, sabe das nossas aflições e reconhece as pressões que sofremos. Por isso que quando ele olha para a igreja de Pérgamo ele diz: Ap 2.13, “Sei onde você vive… Contudo, você permanece fiel". (5) Onde eles viviam? Pérgamo era uma cidade com um passado glorioso. Historicamente, era a mais importante cidade da Ásia. Segundo um conhecido historiador “era a mais famosa cidade da Ásia”. Começou a destacar-se depois da morte de Alexandre, o grande, em 333 a.C. Foi capital da Ásia por quase 400 anos. Antes, foi capital do reino Selêucida até 133 a.C. Átalo III, rei selêucida, o último de Pérgamo, passou o reino para Roma em seu testamento e Pérgamo tornou-se a capital da província romana da Ásia. (6) Outros destaques de Pérgamo é que era um destacado centro do paganismo religioso, Ap 2.13 diz: “Sei onde você vive, onde está o trono de Satanás”. Ou seja o trono de Satanás não estava num edifício nem em algum lugar, fisicamente falando como hoje sugerem os defensores do movimento de Batalha Espiritual. Satanás não habita em lugares, mas em pessoas que ditam sistemas e promovem “culturas satânicas” em nome do aprendizado secular. (7) O trono de Satanás é caracterizado pela pressão e pela sedução. Onde Satanás reina, predomina a cegueira espiritual, floresce o misticismo, propaga-se o paganismo, a mentira religiosa, bem como a perseguição e a sedução ao povo de Deus. Em Pérgamo existia um grande panteão que era um templo arredondado, onde eram colocadas um conjunto de “divindades”. Havia altares para vários deuses em Pérgamo. No topo da Acrópole, ficava o famoso templo dedicado a Zeus, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Todos os dias se levantava a fumaça dos sacrifícios prestados a Zeus. Ainda em Pérgamo havia o culto a Esculápio, o Esculápio ou Asclépio era o “deus salvador”, o deus da medicina e o deus da cura da mitologia greco-romana, a serpente das curas. Seu colégio de sacerdotes médicos era famoso. Naquela época mantinha-se 200 santuários no mundo inteiro. A sede era em Pérgamo. Lá estava a sede de uma famosa escola de medicina. Para lá peregrinavam e convergiam pessoas doentes do mundo inteiro em busca de saúde. A crendice misturava-se com a ciência para muitos. (8) Galeno, médico superado apenas por Hipócrates, era de Pérgamo, as curas, muitas vezes, eram atribuídas ao poder do deus serpente Esculápio. Esse deus serpente tinha o título famoso de salvador. A antiga serpente assassina, apresenta-se agora como sedutora. O enfermo era levado para o templo. Deitavam-no no chão e aguardavam, se durante a noite alguma das centenas de serpentes soltas pelo recinto passasse sobre ele, o indivíduo era tido como curado. Ainda em Pérgamo estava o centro asiático do culto ao Imperador, e esse culto ao imperador era o elemento unificador para a diversidade cultural e política do império. No ano 29 a.C., foi construído em Pérgamo um templo ao imperador Augusto. O anticristo era mais evidente em Pérgamo do que o próprio Cristo. Desde 195 a.C, havia templos à deusa Roma em Esmirna. O imperador encarnava o espírito da deusa Roma. Por isso, divinizou-se a pessoa do imperador e começou-se a levantar templos ao imperador. Uma vez por ano, os súditos deviam ir ao templo de César e queimar incenso dizendo: “César é o senhor”. Depois, podiam ter qualquer outra religião. Havia até um panteão para todos os deuses. Isso era símbolo de lealdade a Roma, uma cidade eclética, de espírito aberto, onde a liberdade religiosa reinava desde que observassem esse detalhe do culto ao imperador. 
9 - Tiatira (Apocalipse 2:18-29), a igreja que se gabava de que sua maior virtude era que tinha uma profetisa, mas na verdade era uma falsa profetiza. (Ap. 2:20). (1) Na carta à igreja de Tiatira o Senhor Jesus elogia a igreja por suas boas obras, porém Ele também repreende a igreja por sua negligência em combater certas práticas e costumes pagãos que estavam sendo introduzidos na comunidade cristã enquanto a importância da disciplina aos membros faltosos era negligenciada. (2) O principal problema da igreja de Tiatira era que tinha um nome bem definido, “Jezabel”. Não é possível afirmar com exatidão se Jezabel era o nome real da mulher que pertencia àquela comunidade ou era o seu pseudônimo, já que o nome Jezabel ,mulher do rei Acabe. Jezabel e Acabe, relatados em 1 Reis 16-22 e 2 Reis 9, formaram um casal real mais idólatra e cruel de Israel, na Bíblia o nome Jezabel é sinônimo de sedução à idolatria e à imoralidade. (3) Seja como for, tal como a personagem do Antigo Testamento que foi mulher do rei Acabe, a mulher de Tiatira denominada Jezabel também se ocupava de influenciar e seduzir as pessoas à idolatria e à imoralidade. E a verdade é que em Tiatira Jezabel encontrava um ambiente muito propício para propagar o seu engano. (4) O grande erro da igreja de Tiatira como foi dito foi o engano das luxurias, da vaidade mundana e da idolatria; toda a vida econômica da cidade era organizada em associações religiosas comerciais. Cada associação possuía o seu deus patrono. Então era praticamente impossível pertencer à vida social e comercial da cidade sem ter de abraçar o culto ao deus de determinada associação. E uma vez introduzido em uma dessas associações, era esperado que o indivíduo participasse das festas pagãs que traziam grandes banquetes oferecidos à deidade patronal, e ainda muita imoralidade através dos rituais de prostituição religiosa. (5) Portanto, o cristão da igreja de Tiatira não tinha vida fácil. Se não participasse de uma associação, o crente era basicamente excluído da sociedade e passava por necessidade, fome, repressão e perseguição. Mas se ele resolvesse participar de uma dessas associações, então ele teria demandas que inevitavelmente o colocariam numa posição de infidelidade ao Senhor. Ou o crente de Tiatira negava o mundo e enfrentava as privações decorrentes disso, ou negava ao Senhor. (6) Nesse contexto foi que surgiu a autodeclarada profetiza Jezabel. Ela estava seduzindo os crentes de Tiatira a comerem dos banquetes sacrificados aos ídolos e a praticarem a prostituição. Ela pregava que os crentes tinham que conhecer “as coisas profundas de Satanás”, através da abominação do hedonismo e da sodomia. (Apocalipse 2:24). (7) Talvez ela apoiasse seu ensino em alguma vertente do dualismo grego que enxergava a matéria (corpo) como algo ruim e o espírito como algo puro e bom. Então ela ensinava que o crente podia explorar as coisas profundas de Satanás em seu corpo, sem que com isso prejudicasse o seu espírito. Na prática, Jezabel induzia os crentes de Tiatira a participarem de todo o paganismo da cidade, com a desculpa de que com isso eles estavam sendo introduzidos ao conhecimento das coisas profundas de Satanás. Parece que a ideia dela era que para vencer Satanás, os crentes tinham de conhecê-lo profundamente, e para se tornarem um cristão melhor, os crentes de Tiatira tinham que experimentar o pecado. 
10 - Sardes (Apocalipse 3:1-6) – O defeito daquela igreja é que tinha adormecido espiritualmente. (3:2). Após sua saudação inicial, o Senhor Jesus identificou o grande problema da igreja de Sardes: “Conheço as tuas obras, que tens nome que vives e estás morto”, (Apocalipse 3:1). (1) A igreja de Sardes tinha uma boa reputação diante dos homens, e uma péssima reputação diante de Deus. Sardes era uma igreja que vivia de aparências. Enquanto as pessoas visualizavam na igreja de Sardes uma aparência externa de espiritualidade, Deus enxergava a apatia espiritual que era a verdadeira condição intima daquela igreja. (2) A igreja de Sardes tinha falhado em ser o candeeiro através do qual o Evangelho brilha para o mundo. Sardes era uma igreja que não incomodava o mundo. Ao invés de influenciar a cultura de sua época para o bem, a igreja de Sardes é que era influenciada pela cultura mundana. A verdade é que a igreja de Sardes tinha falhado em ser Igreja, parecia mais um clube social, uma empresa religiosa, uma Organização Não Governamental, somente para encher os bolsos de seus líderes de polpudas verbas governamentais, fortalecendo os seus objetivos que eram somente materiais. (3) A instrução à igreja de Sardes foi de uma dura repreensão. Graciosamente o Senhor deu mais uma oportunidade à igreja de Sardes, Cristo chamou os crentes de Sardes ao arrependimento. Aquela igreja tinha de mudar radicalmente; era preciso despertar e fortalecer o pouco que estava prestes a morrer. (4) A urgência disso ficou claro quando Cristo afirmou que não tinha achado íntegras as obras da igreja de Sardes na presença de Deus, (Apocalipse 3:2). Exteriormente, a igreja de Sardes contava com todos os costumes religiosos, as tradições e as formalidades temporárias e atemporais. Mas seu culto era vazio; sua adoração era superficial; seu comprometimento com a obra do Senhor Jesus não era real. Sardes era uma igreja de obras incompletas diante de Deus. 
11 - Filadélfia (Apocalipse 3:7-13, (1) O aparente defeito, se é que se pode dizer que era defeito, é que a igreja tinha sofrido pacientemente porque era uma igreja amorosa e resolvia as questões mais difíceis em oração. (3:10). Fez tudo certo e foi grandemente perseguida. Deveria ter reagido e não aceitar certas acusações, mesmo porque tem um ditado popular que diz que “quem cala, consente", mas preferiram confiar cem por cento em Jesus, porque Jesus daria vitória aos seus fiéis. Então não vamos considerar como defeito, mas sim uma omissão proposital para preservar os neófitos e mais fracos na fé. (2) Filadélfia quer dizer amor aos irmãos , ou amor de irmão. Só que a igreja de Filadélfia não tinha amor só no nome, ela amava a Deus, os irmãos e as pessoas perdidas. Eles tinham amor pelas almas perdidas. Tanto é que lá no versículo 8 Jesus diz que “colocou uma porta aberta, que ninguém pode fechar.” Esta porta aberta era a porta do evangelismo. Era a porta da palavra. E pra provar que esta porta em Filadélfia era a porta da palavra, deixo para nossa meditação Colossenses 4.3 onde Paulo pede a igreja dizendo assim: “Orem também por nós, para que Deus abra uma porta para a nossa mensagem, a fim de que possamos proclamar o mistério de Cristo…” (Cl 4:3-4). (3) Em Filadélfia, Deus abriu a porta porque a igreja tinha amor pelas almas perdidas. E quando há amor, também há portas abertas. Quando amamos o que Deus ama, ele envia meios e condições, ELE abre portas. Se você ama a Deus, o próximo e a obra, Deus enviará portas na sua direção. Deus não abre portas se o amor não vier na frente. E quando ele abre ninguém fecha. 
12 - Laodicéia (Apocalipse 3:14-22). (1) A igreja com a fé morna. (3:16). Era uma igreja fria e morna, estava morta espiritualmente. É muito fácil ser crente dentro de uma igreja que aceita tudo. Assim era a igreja de Laodicéia. Na carta à igreja de Laodiceia, é dito que aquela era uma igreja morna. Essa era uma descrição simbólica para falar do estado de apatia espiritual daquela igreja. Laodiceia era uma igreja espiritualmente indiferente. Em termos práticos, aquela igreja estava confortável e acomodada ao mundo. O Senhor Jesus apontou de forma direta o erro daquela igreja. Os crentes de Laodiceia tinham um espírito de autossuficiência. Eles diziam: “Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma” (Apocalipse 3:17). Os crentes de Laodiceia eram orgulhosos e tinham sido influenciados pelo modo de vida daquela cidade. Os crentes de Laodiceia eram daquele tipo de pessoa que pensa não merecer nada menos que a bem-aventurança eterna. Em outras palavras, parece que os crentes de Laodiceia acreditavam que o Senhor não ousaria deixá-los fora do Paraíso. Eles não conseguiam enxergar o próprio pecado. Estavam acomodados em sua prepotência espiritual. Então, enquanto que aos olhos humanos aquela congregação se enxergava rica, abastada e tão realizada ao ponto de não precisar de nada, aos olhos do Senhor aquela igreja era vista como infeliz, miserável, cega e nu, despida, (Apocalipse 3:17). (2) A igreja de Laodiceia precisava comprar de Cristo algo que eles tinham desprezado á tempos. Há algo extraordinário na forma como o Senhor Jesus chamou aqueles crentes a comprarem dEle todas as coisas que precisavam. Se tudo isso realmente tinha a ver com a salvação, num primeiro momento parece até estranho que Cristo estivesse aconselhando alguém a “comprar a salvação”. Mas uma leitura um pouco mais atenta do texto bíblico revela o caráter desse conselho. A igreja de Laodiceia pensava ser rica, mas na realidade era miserável e pobre. Então, como alguém sendo pobre e miserável seria capaz de comprar ouro, vestes novas e remédio? A verdade é que por mais que alguém seja rico e abastado, ninguém é capaz de comprar as bençãos da salvação. Por isso, Deus convida os homens a comprar dele sem dinheiro, sem custo (Isaías 55:1). O nome disso é graça. (3) Na sequência, o Senhor Jesus falou àquela igreja que somente é disciplinado e corrigido aquele a quem Ele ama. Aquela igreja estava sendo suavemente convidada a se arrepender e a ser zelosa. Apesar de tudo, Cristo amava aquela igreja. Inclusive, o Senhor Jesus disse à igreja de Laodiceia que estava às portas, batendo repetidamente, e se alguém ouvisse a sua voz e abrisse a porta, Ele entraria na casa para juntos cearem (Apocalipse 3:19). Esse era um doce convite para a renovação de um relacionamento. (4) A igreja de Laodiceia recebeu a carta mais severa da parte de Cristo. Diferentemente das outras igrejas, em Laodiceia não havia nada elogiável. Porém, o Senhor Jesus Cristo buscava restaurar aquela igreja, e tinha um plano maravilhoso para ela. Tal como nas cartas direcionadas às outras igrejas, Cristo terminou a carta à igreja de Laodiceia com uma promessa, (Apocalipse 3:21). Aos vencedores, Ele prometeu uma eternidade de comunhão com Deus. Assim como Cristo participa do trono do Pai, Ele prometeu que os vencedores participarão do seu trono. Aquele que ouve a voz de Cristo e o recebe em sua casa, também será recebido por Ele na glória eterna. 
13 - As igrejas de hoje estão atualizando suas teologias e algumas até estão criando teologias próprias, com conceitos fascinantes e até encantadores, que são facilmente assimilados para endeusar seus líderes e fiéis religiosos daquela seita ou imitações de igrejas, porém estão concordando com todas as coisas que antigamente Deus já condenava como pecado dentro das 7 igrejas da Ásia tais como: (1) Prostituição, traição, incesto, pedofilia, poligamia, zoofilia, lesbianismo, homossexualismo; a Bíblia fala de efeminados em Apocalípse 21.8; adultério, fornicação, emburrecimento que é o ato ou efeito de emburrecer, tornar ou ficar burro ou estúpido, demente, praticando escárnio com Deus, zombarias, bebedices, glutonarias, vícios, falsidade intelectual e todo tipo de baixaria. Pessoas sem afeto natural, sem amor, sem compreensão, sem complacência, entenebrecidos por vontade própria; o ato de se tornar uma pessoa assim significa estar coberto de trevas, escurecido, obscurecido ou turvado. Isso revela um termo que descreve algo ou alguém que perdeu a clareza, a luz ou a transparência, tornando-se sombrio ou perdido na escuridão do pecado. Romanos 1:26-32. 
14 - O apóstolo Paulo já alertava na sua segunda carta a Timóteo 2 Tm. 3.1-13 da seguinte maneira: (1) Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfactuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, a eficácia dela. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; eles, todavia, não irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles. Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, que variadas perseguições tenho suportado. De todas, entretanto, me livrou o Senhor. Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. 2 Timóteo 3: 1-13. 
15 - Podemos dizer que nos nossos dias de pós modernidade as igrejas não estão mais se importando com seus defeitos e não fazem nada para melhorar sua comunhão com Deus. O Deus deste século cegou grande parte das lideranças evangélicas, se não a maioria, para dar mais valor ao dinheiro e às propriedades que ele lhes garante, do que o valor de uma alma. Defeitos todas as igrejas teem. Defeitos todos os líderes evangélicos teem. Mas ainda tem poucos que mesmo tendo defeitos procuram adorar a Deus em espírito e em verdade. 
16 - Viver no primeiro século na região das sete igrejas da Ásia não seria nada fácil para os discípulos de Jesus e para os crentes em geral daquela época. Além das perseguições pelos judeus, eles enfrentavam uma ameaça mais organizada e mais poderosa que era o fracasso espiritual das lideranças das igrejas, com raríssimas exceções. A idolatria até parece que era oficial tanto quanto hoje. Estão juntando a religião à força do governo, ou seja das polpudas benesses governamentais, que prometiam e continuam fazendo uma perseguição perigosa aos verdadeiros cristãos daquelas cidades, tentando-os a “abandonarem” a sua fé deixando de valorizar em primeiro lugar o reino de Deus, Mateus 6.33 para melhorar as suas circunstâncias financeiras, patrimoniais e ou até para evitar a morte violenta dos distonantes das lideranças. Para vencer esta tentação, teriam que acreditar no poder daquele que já venceu a morte. Tinham e teem que proceder como os Jovens amigos do profeta Daniel capítulo 3, que mesmo sendo lançados na fornalha de fogo ardente, aquecida sete vezes mais, não negaram sua fé em Deus, o Deus de Israel que os livrou da morte. Mesmo se morressem, as suas vidas eternas seriam garantidas somente se mantivessem sua confiança no eterno Senhor como estavam firmados no Senhor. Jesus foi o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver, ressuscitou, para nos dar vida e vida com abundância. A religião não salva ninguém, mas Jesus salva, Jesus cura, Jesus liberta da escravidão do pecado, Jesus batiza com o Espírito Santo de Deus e em breve voltará para arrebatar a sua igreja. Fique sempre firmado no Senhor e lembre-se que igreja perfeita é só no céu. 

Deus abençoe você e sua família. 

Pr. Waldir Pedro de Souza. 
Bacharel em Teologia, Pastor e Escritor.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

GOGUE E MAGOGUE OS INIMIGOS DO POVO DE DEUS

GOGUE E MAGOGUE OS INIMIGOS DO POVO DE DEUS


I - Na Bíblia, Gogue e Magogue representam os mais perversos e mais letais inimigos do povo de Deus. No fim dos tempos estes inimigos se reunirão, ou já estão em pleno vapor, para lutar contra o povo de Deus, principalmente quererão destruir a acabar com os Judeus em todo o mundo e seu país Israel, tentando destruí-lo de qualquer maneira. Mas, no fim, Deus trará vitória e destruirá todos os inimigos de Israel. Os nomes Gogue e Magogue ganharam destaque devido a uma profecia no livro de Ezequiel e uma referência no livro de Apocalipse. Nestas duas profecias, Gogue e Magogue lideram um exército que ataca Israel no fim dos tempos. 
II - Gênesis 10:1-2 identifica Magogue como um dos filhos de Jafé, filho mais velho de Noé. Os descendentes de Noé se espalharam pelo mundo e formaram vários povos, depois do Dilúvio. Assim, o homem Magogue provavelmente deu origem a um povo chamado Magogue. Ezequiel 38:2 explica que Gogue será um líder da terra de Magogue, que dominará sobre vários outros povos, (que também são descendentes de Jafé). Magogue fica em algum lugar ao norte de Israel e liderará o ataque final contra o povo de Deus: Ezequiel 38:15-16. 
III - Em algum tempo, quando Israel estiver vivendo em paz e segurança, Gogue juntará um grande exército formado por vários povos ao redor de Israel. Esse grande exército, vindo de todos os lados, mas com a frente de ataque principal vindo do norte, virá para destruir e saquear Israel, (Ezequiel 38:7-9). Nesse dia, Deus lutará por Seu povo, provocando um terremoto e enviando a peste e o fogo contra o exército inimigo. As tropas serão lançadas em confusão, matando uns aos outros e sua destruição será total (Ezequiel 38:21-23). O exército de Gogue será completamente exterminado e o povo de Deus viverá em segurança, sem o perigo de inimigos. A vitória final será dada por Deus. 
A - Gogue e Magogue é uma expressão que aparece no livro do Apocalipse como uma referência ao conflito final entre as forças satânicas e Cristo e Seu povo. Há muitas interpretações e teorias acerca desse evento, o que acaba gerando ainda mais curiosidade entre as pessoas acerca dessa expressão. Gogue e Magogue é citado na visão do Antigo Testamento e tem seu desdobramento em outras citações bíblicas, finalizando no Apocalípse. 
B - Gogue e Magogue são citados em passagens do Antigo Testamento. Começando no livro de Gênesis, Magogue é mencionado como um descendente de Jafé, (Gn 10:2; 1Cr 1:5). Já Gogue, é citado como um Rubenita, filho de Semaías, (1Cr 5:4). Apesar dessas referências iniciais, as passagem bíblicas mais importante sobre Gogue e Magogue encontram-se no livro do Profeta Ezequiel nos capítulos. 38 e 39. Gogue aparece como príncipe de Meseque e Tubal, e Magogue como sendo um povo, ou seja, da “Terra de Magogue”. Logo, a narrativa de Ezequiel apresenta Gogue da Terra de Magogue. 
C - Gogue e Magogue na visão do novo testamento, principalmente no contexto de Apocalipse. Como já dissemos, a expressão “Gogue e Magogue” aparece no livro do Apocalipse também e para descrever uma última batalha que precederá o Juízo Final, (Ap 20:7-10). O Apóstolo João, escritor do livro do Apocalípse, relata que acabado o Milênio, Satanás será solto por um pouco de tempo, “e saíra para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. Seu número é como a areia do mar”, (Ap 20:8). 
1 - João continua a narrativa dizendo que as nações, persuadidas por Satanás, cercarão “o acampamento dos santos, a cidade amada“, porém um fogo descerá do céu e as devorará, resultando ainda na condenação eterna de Satanás no “lago de fogo que arde como enxofre“. Depois disso, João começa a descrever em detalhes a cena do Juízo Final. 
2 - Gogue e Magogue e as diferentes correntes escatológicas. Sabemos que existem “diferentes correntes escatológicas”, e cada uma delas possui uma visão específica acerca desse assunto, vamos discorrer sobre as principais. (1) Existe aqueles que defendem um futuro reinado milenar e literal de Cristo na terra após a Sua segunda vinda, afirmam que essa batalha de Gogue e Magogue ocorrerá ao término desse período, quando Satanás for literalmente solto novamente para enganar as nações. Vale dizer também que alguns pré-milenistas defendem que essa batalha ocorrerá antes do Milênio, porém creio que essa afirmação seja uma contradição com o próprio pensamento que eles defendem. (2) Portanto, seguindo esse raciocínio mencionado acima haverá então duas grandes batalhas finais: (a) a batalha do Armagedom antes do Milênio e descrita no capítulo 19 do Apocalipse, e (b) a batalha de Gogue e Magogue após o Milênio e descrita no capítulo 20 do Apocalipse. 
3 - Entre os defensores dessa posição há muitas divergências acerca desse evento, de modo que seria impossível citar cada uma delas. As mais comuns entendem que essa batalha de Gogue e Magogue se refere ao ajuntamento de várias nações para atacarem Israel no futuro. As teorias sobre isso são tão específicas que até mesmo nomes de nações já foram sugeridos, entre elas: Rússia, Irã, China, Japão e Índia. 4 - Já quem não defende um futuro reinado literal de Cristo na terra no milênio, entendendo que o Milênio precede a segunda vinda de Cristo, geralmente afirma que essa batalha é a mesma já descrita no capítulo 19, isto é, o Armagedom de fato. Mas, como interpretar Gogue e Magogue e ter a certeza e a clareza dos fatos? Como vimos, a interpretação acerca dessa batalha dependerá da maneira com que interpretamos e entendemos o livro do Apocalipse e alguns eventos escatológicos descritos nele, sobretudo o Milênio. O milênio é um período de mil anos sob o governo de Jesus Cristo na terra com a igreja que fora arrebatada. Este período será instalado por Jesus no final da grande tribulação quando Jesus vencer o anticristo na batalha do Armagedom. 
5 - Antes de falarmos mais sobre o Apocalipse, precisamos voltar ao livro do Profeta Ezequiel. É necessário compreender que o livro de Ezequiel possui um intenso uso de elementos simbólicos em suas profecias, num tipo de linguagem apocalíptica. Os capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel, que nitidamente são proféticos, realmente apresentam algumas dificuldades de interpretação. Os estudiosos se dividem em diferentes opiniões. Como já mencionamos, muitos especulam até mesmo sobre nomes de nações contemporâneas dentro destes capítulos. Talvez uma das teorias mais conhecidas seja aquela que identifica Meseque e Tubal como sendo as cidades Russas de Moscou e Tobolsk, e o “príncipe de Rôs” citado no versículo 2, como o “príncipe da Rússia”, ou seja, Gogue seria o comandante Russo que atacará Israel no futuro. 
6 - Não precisamos nem dizer que esse tipo de interpretação não encontra qualquer fundamentação bíblica. Outros identificam Gogue com sendo Guigues, um rei da Líbia, conhecido nos textos acadianos do século 7 a.C. como um vassalo dos assírios. Uma boa interpretação sobre o assunto sugere que a profecia de Ezequiel se refere ao poder dos selêucidas, especialmente com Antíoco Epifanes, inimigo terrível do povo judeu, cujo centro do seu reino ficava localizado no norte da Síria. Ao norte, o domínio dos selêucidas incluía Meseque e Tubal, distritos da Ásia Menor. De acordo com essa interpretação, a perseguição imposta por Gogue de Magogue, refere-se, em Ezequiel, à dura perseguição imposta pelo governador da Síria, Antíoco Epifanes, sob o povo de Deus. Como disse, considero essa uma boa interpretação, entretanto não creio que a profecia de Ezequiel se esgote nesse período da História. Penso que Ezequiel também se refere, de forma geral, a batalha final contra o povo de Deus, de maneira que o ocorrido com Antíoco Epifanes tipifica uma perseguição futura ainda maior. 
7 - É interessante o uso específico de “Meseque e Tubal”. Sempre que as ameaças a Israel são descritas no Antigo Testamento, tais ameaças vêm do norte, geralmente referindo-se a Assíria, Babilônia e Pérsia. Quando Ezequiel fez referência a “Meseque e Tubal” ele utilizou tribos que viviam nos limites dos reinos do norte, no sentido de mostrar que haveria uma oposição ainda mais difundida contra o povo de Deus. Portanto, creio que a profecia de Ezequiel se cumpriu em Antíoco Epifanes, mas também se cumpre em todos os poderes orquestrados contra o povo de Deus. 
8 - Voltando agora ao Apocalipse, podemos compreender que João tinha em mente esse terrível período de dor e aflição quando usou a expressão “Gogue e Magogue”. A grande opressão que o povo de Deus suportou na antiga dispensação, serve de símbolo para a maior opressão que o povo de Deus precisará suportar na nova dispensação. Logo, a expressão Gogue e Magogue se refere ao ataque final das forças anticristãs lideradas por Satanás contra a Igreja de Cristo. João identifica Gogue e Magogue como “as nações que há nos quatro cantos da terra“, ou seja, não se trata de uma nação específica, mas a totalidade do mundo, isto é, a perseguição do mundo iníquo contra a Igreja. João ressalta que o exército dessa batalha é muito numeroso, tanto como a areia do mar. Nos dias do governo de Antíoco Epifanes, o povo de Israel parecia indefeso diante do poder do exército sírio. Da mesma forma, nos últimos dias que precedem a volta de Cristo no final da grande tribulação, quando Israel estará esmagado pela fúria satânica do Anticristo. A opressão será tão grande que a Igreja parecerá indefesa diante do poder perseguidor que virá do mundo inteiro. 
9 - Outro fato interessante é que, apesar de intenso e severo, o domínio de Antíoco Epifanes teve breve duração, tal como será o curto período de tempo de grande tribulação sobre a terra que será de sete anos sendo três anos e meio de aparente e os últimos três anos e meio de guerra total contra e para destruição total de Israel, conforme Jesus alertou em seu sermão escatológico Mc 13:20; Ap 11:11, mas principalmente em Mateus nos capítulos 24 e 25. Também vale ressaltar que a derrota das forças da Síria foi surpreendentemente inesperada, ou seja, foi uma interferência direta de Deus. Da mesma forma ocorrerá nos momentos finais da presente era com o retorno de Cristo à terra, primeiro para derrotar o Anticristo livrando Israel destruição total, implantação do Reino Milenial de Cristo e depois do milênio Satanás será solto por um pouco de tempo e vai seduzir as nações novamente para guerrear contra o próprio Deus que o esmagará com o sopro de Sua boca quando Satanás e seu exército serão lançados no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte. 
10 - Portanto, o capítulo 20 do Apocalipse não descreve um conflito entre nações, mas um conflito entre a Igreja e o mundo. Esse conflito de Gogue e Magogue é o mesmo já citado em outras partes do próprio Apocalipse, Ap 16:12ss; 19:19. Note que em Apocalipse 16:14 lemos a expressão “a fim de reuni-los para a batalha do grande dia do Deus todo-poderoso“. Já em Apocalipse 19:19, a expressão é a seguinte: “para batalharem contra aquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército”. E finalmente em Apocalipse 20:8, somos informados de que Satanás sairá “a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha“. No original, lemos em todos estes casos a expressão “a peleja“. 
11 - A descrição que João faz no Apocalípse acerca da batalha do Armagedom (Ap 19:17-21) é uma clara evidencia de que se trata da mesma batalha do capítulo 20 do Apocalipse. Perceba que no capítulo 19, João também faz referência a mesma passagem do livro de Ezequiel (Ez 39:17-20). Em ambas as passagens as aves do céu se fartam da carne e do sangue dos poderosos da terra. Devemos nos lembrar de que o livro do Apocalipse está organizado em sete seções paralelas e progressivas, ou seja, a mesma história é contada e recontada com perspectivas diferentes, de modo que a narrativa vai se tornando mais intensa e detalhada conforme avançamos para o final do livro. 
12 - O detalhe particular do capítulo 20 acerca dessa mesma batalha já mencionada e que as outras referências ainda não haviam esclarecido, fica por conta da descrição do que acontece com Satanás, ou seja, nas outras referências João já havia descrito a queda dos ímpios e a queda dos aliados do dragão (a besta, o falso profeta e a grande Babilônia). Faltava apenas ele descrever a queda do dragão. Como Satanás é o maior oponente de Cristo, naturalmente sua queda é narrada por último. Isso é exatamente o que ocorre no capítulo 20. 
13 – Aqui no final da grande tribulação Gogue e Magogue é o Armagedom, a batalha final entre o bem o mal, é o pouco tempo de Satanás, é a grande tribulação, é o período mais terrível da História, onde o dragão, que é Satanás, e seus aliados perseguirão duramente o povo de Deus. Todavia, o livro do Apocalipse nos mostra que todos estes inimigos de Cristo e de Sua Igreja caem juntos, ao mesmo tempo, em um único evento, em uma única batalha. Todos são destruídos na segunda vinda de Cristo, onde o Cordeiro virá para livrar o Seu povo no final da grande tribulação, onde a cólera de Deus será derramada, onde o juízo de Deus estará completo. Esse dia será maravilhoso para uns e aterrorizante para outros. 
14 - Para concluir, quero dizer que embora existam diferentes opiniões sobre o assunto, o importante é que todas elas concordam que nessa batalha, Satanás será condenado e lançado eternamente no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte e de dia e de noite, juntamente com seus aliados, será atormentado eternamente. 
15 - O passo a passo do final dos tempos será assim: No final da grande tribulação o povo de Israel será liberto das mãos do Anticristo e Satanás será preso por mil anos. Satanás é preso, amarrado por mil anos, os fiéis reinam com Cristo no Milênio. Apocalípse 20:1-6. 1. E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. 2. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. 3. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo. 4. E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. 5. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. 6. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos. 
16 - Um novo acontecimento semelhante de Gogue e Magogue do final da grande tribulação acontecerá, será a soltura de Satanás no final do Milênio. Satanás será solto por um pouco de tempo e sairá a ajuntar novamente as nações contra aquele que está assentado no trono, Apocalípse 20:7-10. 7. E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão 8. e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. 9. E subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu e os devorou. 10. E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. 
17 - O Juízo final, que também é conhecido como o Juízo do grande trono branco, será o julgamento final da besta, do falso profeta e do Anticristo que serão condenados a ser lançados no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte e serão atormentados eternamente, enquanto a igreja do Senhor Jesus lavada no sangue do Cordeiro irá para as mansões celestiais. Apocalípse 20:11-15. 11. E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. 12. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. 13. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. 14. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. 15. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo. 
18- Os novos céus e nova terra estão previstos nos capítulos 21 e 22 de Apocalípse. A nova terra será a morada eterna dos crentes em Jesus Cristo. A nova terra e os novos céus são por vezes referidos como o “estado eterno”. As Escrituras nos dão alguns detalhes dos novos céus e da nova terra. Os atuais céus e terra estão há muito tempo sujeitos à maldição de Deus por causa do pecado da humanidade. Toda a criação “geme e suporta angústias até agora” (Romanos 8:22), enquanto aguarda o cumprimento do plano de Deus e “a revelação dos filhos de Deus”, (versículo 19). 
19 - O céu e a terra passarão (Marcos 13:31), e serão substituídos pelos novos céus e pela nova terra. Naquele momento, o Senhor, assentado em Seu trono, diz: “Eis que faço novas todas as coisas”, (Apocalipse 21:5). Na nova criação, o pecado será totalmente erradicado e “nunca mais haverá qualquer maldição”, (Apocalipse 22:3). O novo céu e a nova terra também são mencionados em Isaías 65:17, Isaías 66:22 e 2 Pedro 3:13. Pedro nos diz que o novo céu e a nova terra serão “nos quais habita justiça”. Isaías diz que “não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas”. As coisas serão completamente novas e a velha ordem das coisas, com a tristeza e a tragédia que as acompanham, desaparecerá. 
20 - A nova terra estará livre do pecado, do mal, da doença, do sofrimento e da morte. Será semelhante à nossa terra atual, mas sem a maldição do pecado. Será a terra como Deus originalmente planejou que fosse. Será o Éden restaurado. Uma característica importante da nova terra será a Nova Jerusalém. João a chama de “a cidade santa, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo”, (Apocalipse 21:2). Essa gloriosa cidade, com suas ruas de ouro e portões perolados, ou de cristais, está situada numa nova e gloriosa terra. A árvore da vida estará lá, (Apocalipse 22:2). Essa cidade representa o estado final da humanidade redimida, para sempre em comunhão com Deus: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles, os seus servos o servirão, contemplarão a sua face”, (Apocalipse 21:3; 22:3–4). 
21 - Nos novos céus e na nova terra, dizem as Escrituras, há sete coisas notáveis pela sua ausência, sete coisas que “não existirão mais”: (1) não haverá mais mar, (Apocalipse 21:1). (2) não haverá mais morte, (Apocalipse 21:4). (3) não haverá mais luto, (Apocalipse 21:4). (4) não haverá mais pranto, (Apocalipse 21:4). (5) não haverá mais dor, (Apocalipse 21:4). (6) não haverá mais maldição, (Apocalipse 22:3). (7) não haverá mais noite, (Apocalipse 22:5). 
22 - A criação dos novos céus e da nova terra traz a promessa de que Deus “enxugará dos olhos, (daqueles martirizados que morreram mas não negaram a fé) toda lágrima”, (Apocalipse 21:4). Esse evento especial de adoração a Deus pelos mártires da fé ocorrerá com Jesus assentado no trono à direita de Deus o Pai, depois da grande tribulação, depois da segunda vinda do Senhor, depois do reino Milenial de Cristo, depois da rebelião final, depois do julgamento final de Satanás e depois do Julgamento do juízo do grande trono Branco. A breve descrição dos novos céus e da nova terra é o último vislumbre da eternidade que a Bíblia nos oferece. Compensa, portanto, viver uma vida cheia do Espírito Santo de Deus aqui na terra, e quando formos chamados para a eternidade, estaremos gozando da glória celestial. 
Deus abençoe você e sua família. 

Pr. Waldir Pedro de Souza. 


Bacharel em Teologia, Pastor e Escritor.

segunda-feira, 30 de março de 2026

UMA PEQUENA DEFINIÇÃO DO QUE É HUMILDADE

UMA PEQUENA DEFINIÇÃO DO QUE É HUMILDADE 


I - Uma pequena definição do que é humildade. A humildade não é um sentimento, é uma atitude de autocontrole e de tolerância diante da ofensa. O mundo nos ensina a buscar justiça e às vezes algumas pessoas buscam fazer justiça com as próprias mãos, mas o Evangelho nos chama a atenção para algo radicalmente diferente, para perdoarmos a quem nos ofende. 
II - A Bíblia não define humildade como "pensar menos de si mesmo", mas como "pensar menos em si mesmo" e mais no Reino de Deus, mesmo quando isso custar o nosso orgulho. Em João 13, Jesus se levanta, pega uma toalha e lava os pés dos discípulos, lembrando que o traidor Judas Iscariotes estava lá também. Jesus nos deixou o maior exemplo de humildade, muitas vezes esquecemos que Judas Iscariotes estava lá. Jesus sabia que Judas já havia negociado a traição, sabia que ele causaria a Sua morte dolorosa, mas mesmo assim lavou-lhe os pés. Ainda assim, o Rei dos Reis e Senhor dos senhores se abaixou e calmamente lavou os pés sujos do traidor. Mateus 5:45 diz o seguinte: "Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem...”. 
III – A Humildade e o significado da sua importância. A humildade tem um significado ímpar na vida do cristão. Seja ele de qualquer classe social, mas se for humilde terá as maiores bênçãos de Deus em sua vida. Há pessoas pobres que são arrogantes e há pessoas ricas que são humildes e vice-versa. Há muitas pessoas com um conceito errado sobre humildade. Humildade não significa ter um conceito negativo de si mesmo. Uma pessoa humilde não é aquela que se considera inferior aos outros, mas, também, não se considera superior aos outros. 
A - Humildade é o oposto de orgulho, soberba, arrogância, vaidade. O orgulhoso alimenta o seu coração com a soberba. A humildade tem a ver com uma visão modesta de si mesmo ou equilibrada. Reconhece suas limitações de espaço, de tempo, de saber. O humilde reconhece que tem mais coisas que ele não sabe do que as coisas que ele sabe. Por isso, o humilde está sempre pronto para aprender. Em termos gerais podemos dizer que uma pessoa humilde sabe de suas limitações em termos cognitivos, em termos de saber, reconhece que não é tão inteligente quanto os outros pensam. Esta consciência saudável de sua fragilidade é que o faz humilde. 
B - O orgulhoso, por outro lado, tem uma visão exagerada e errada de suas virtudes, riquezas, capacidades, possibilidades, potencialidades, força etc. Além disso, o orgulhoso ignora suas fraquezas, falhas, limitações etc. Assim sendo, o orgulhoso age como alguém que ele não é, trata-se de um fake self, um falso eu. Por causa disso, o orgulho pensa, sente, fala e ache de uma maneira errada. Não se nasce humilde. Humildade se aprende. Podemos e devemos aprender a sermos humildes e o melhor caminho é de dentro para fora. Aprender a ter pensamos humildes e sentimentos humildes; depois palavras humildes, ações humildes - nesta ordem. 
C - Quando a pessoa age humildemente, mas não tem humildade em sua mente e coração, ela, depois de agir com humildade, diz: vejam como eu sou humilde! Ação de humildade de alguém que não é humilde lhe custa muito caro; mas uma ação humilde de quem interiormente é humilde, é normal, natural, agradável. Na verdade, uma pessoa humilde de coração, quando não age com humildade, sofre. Mas, humildade não se aprende no mundo, nas universidades, nas escolas, infelizmente. Humildade não se compra na farmácia, nem no supermercado. 
1 - A Bíblia nos ensina sobre a humildade. Quando estudamos os textos bíblicos sobre esse tema podemos aprender sobre o seu significado e importância. A palavra humilde no texto do Novo Testamento grego é um adjetivo, masculino, singular e ocorre 8 vezes no Novo Testamento Grego (Mt. 11:29; Lc. 1:52; Rm. 12:16; II Co. 7:6; 10:1; Tg. 1:9; 4:6; I Pd. 5:5) e 46 vezes na LXX (Septuaginta). No hebraico é “ani”. 
2 - O substantivo humildade ocorre 8 vezes no testo Grego do Novo Testamento (At. 20:19; Ef. 4:2; Fp. 2:3; Cl. 2:18, 23; 3:12; I Pd. 3:8; 5:5) e não há ocorrência dessa palavra na forma substantiva no texto Grego da LXX, (Septuaginta). O verbo humilhar-se, ocorre 14 vezes no texto Grego do Novo Testamento, (Mt. 18:4; 23:12; Lc. 3:5; 14:11; 18:14 duas vezes; II Co, 11:7; 12:21; Fp.2:8; 4:12; Tg. 4:10; I Pd. 5:6) e 147 vezes no texto da LXX (Septuaginta). No hebraico é “anar”. 
3 - Vejamos, de forma breve, alguns textos bíblicos que apontam na direção dos temas: Deus e a humildade; Jesus e a humildade; nós e a humildade. Deus e humildade: Quando lemos a Palavra do Senhor, ficamos impressionados com o seu ensino a respeito daquilo que Deus faz na vida dos humildes. No Salmo 18:27, aprendemos que o Senhor salva os humildes. Em 2 Coríntios 7:6, aprendemos que o Senhor conforta os humildes. Em Lucas 1:52, no cântico de Maria, ela diz que o Senhor exalta os humildes. Em Tiago 4:6 e 1 Pedro 5:5, a Bíblia diz que Deus dá graças aos humildes ταπεινοῖς e rejeita aos soberbos ὑπερηφάνοις. Isto é, o Senhor acolhe os humildes com amor, perdão, salvação. 
4 - Os soberbos, oposto de humildes, são rejeitados porque eles querem ser o que não são. Deus rejeita a mentira, as sombras, as máscaras e as aparências. Os soberbos, oposto de humildes, são rejeitados porque eles não estão prontos para aprender e assim mudar, crescer, transformar. Os soberbos, oposto de humildes, são rejeitados porque eles desprezam a Deus e aos outros. Os humildes recebem a graça de Deus, isto é, as bênçãos do Senhor, a salvação, o conforto, a exaltação do Senhor, porque estão prontos para aprender, olham para baixo o bastante e lá encontram Deus na pessoa de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, que foi pobre, manso e humilde. 
5 - Jesus e a humildade em espírito e em verdade. Jesus é o Deus que se humilhou sem perder sua real identidade, divindade (Fp. 2:8). Jesus é o Mestre humilde que tem autoridade, (Mt. 11:29). Jesus não apenas falou sobre a humildade, ele a revelou quando na última ceia com os seus discípulos, ele tirou a capa, o manto - ἱμάτιον e pega a toalha, o avental, o pano λέντιον para limpar os pés sujos de seus discípulos, inclusive os pés de Judas Iscariotes que estava entre eles. (Jo. 13:4). Jesus é a fonte de toda humildade. Jesus é exemplo de humildade para todos. Para reis, profetas, professores, magistrados, e alunos também; toda e qualquer pessoa. Há muitas pessoas, autoridades, professores, etc. arrogantes, orgulhosos e isso é uma pena, é um desastre. Jesus nos ensina que uma autoridade, qualquer que seja ela, pode e deve ser humilde; um bom líder é humilde. 
6 - O professor humilde, o líder humilde, a autoridade humilde, valoriza o outro, dá dignidade ao outro, seja o outro quem for: seu aluno, servo, empregado, subordinado, colega, homem ou mulher, rico ou pobre, letrado ou iletrado. Jesus, como líder e mestre, humilde, sabia ensinar um aluno ou mil, com a mesma qualidade, a mesma dedicação, a mesma humildade, simplicidade. Em sua parábola sobre duas pessoas que foram ao templo para a adorar ao Senhor, Jesus ensina que aquela pessoa que se exaltou, foi embora para a casa sem a bênção da justiça de Deus, da salvação; mas aquela pessoa que se humilhou, foi embora para casa com a bênção da justiça, da salvação e tudo o que ela traz: alegria e paz (Lc. 18:9-14). 
7 - Nós e a humildade. A humildade é uma chave que abre inúmeras portas. O humilde tem infinitas possibilidades porque ele está sempre aberto para aprender, ele está sempre aprendendo, crescendo, mudando, se transformando. Esta atitude de humildade é fundamental na hora de abrir portas para o crescimento interior e exterior, espiritual e social. A Bíblia diz que o orgulho, que é o oposto da humildade, precede a queda (Pv. 16:18). Isso porque o orgulhoso não ouve, não reconhece que tem coisas para aprender com os outros, é incapaz de ver os seus erros, falhas, limitações, fraquezas. O apóstolo Pedro pede aos crentes que se vistam interiormente com um espírito de humildade. A humildade se constrói de dentro para fora, (1 Pd. 3:8). 
8 - O apóstolo Paulo diz que serviu ao Senhor em Éfeso com humildade (At. 20:19). Precisamos aprender a sermos humildes e a agirmos com humildade, uma coisa não deve existir sem a outra. E a humildade interior deve preceder a exterior. A humildade dever ser uma razão motivadora para o serviço e não a soberba, a vanglória (Fp. 2:3). Em sua Carta aos Romanos 12:16, o apóstolo Paulo pede aos crentes que não sejam orgulhosos, mas que sejam bons com os humildes e não sejam sábios aos seus próprios olhos. Em síntese, o apóstolo Paulo está ensinando que os orgulhosos se consideram sábios demais, inteligentes notáveis; bem diferente dos humildes. 
9 - O orgulho do humilde é viver para Deus, o seu amor, a sua graça, a sua força, a sua sabedoria, tudo para a glória de Deus. O crente sabe que o Senhor se agrada de um coração humilde, (Mq. 6:8). Por isso, sua motivação para fazer o bem é a humildade. E assim, o humilde se gloria no Senhor e não em si mesmo; ele não se exalta; ele exalta o Senhor. O orgulhoso não consegue ver Deus nem o outro, o próximo, porque ele não enxerga baixo, ele não olha para baixo o suficiente. Ele não tem os pés no chão. A humildade nos permite viver próximos de Deus e dos homens. 
10 - A pessoa humilde não é arrogante porque tem uma visão inteira de si e não apenas parcial, isto é, não apenas de suas virtudes, mas, também de suas fraquezas, falhas. Para consertar as coisas, os relacionamentos, as pessoas, a família, é preciso humildade que é produto desta visão integral, total, verdadeira de si mesmo e dos outros. Cremos que quanto mais humilde, mais condições de êxito uma pessoa terá ao ensinar, ao empreender a obra de restauração, de conserto, de cura do próximo e de si mesmo; pois ele procura ter uma visão introspectiva de si e do próximo e é capaz de perceber que o seu próximo não tem apenas falhas, mas virtudes; não tem apenas coisas negativas, mas positivas. 
11 - As catástrofes bíblicas do dilúvio e da torre de Babel têm como pano de fundo a falta de humildade que gera cegueira para suas próprias fraquezas, falhas, limitações, vulnerabilidades. A Bíblia ensina que o orgulho, a soberba, precede a queda, a ruina (Pv. 16:18). Jesus é o maior exemplo de humildade. Ele reconhece que tem coisas que ele não sabe e que perfeito só existe um, (Mt. 19:17; Mc. 10:18; Lc. 18:19), o Eterno Deus e Pai criador de tudo e de todos, diante de quem ele busca viver humildemente, ele se humilha diante do Pai sem perder sua identidade, sua essência. Ele se engrandece ao se humilhar. É assim que o Senhor, o Eterno, exalta o humilde. Aquele que com o Senhor anda humildemente, também vive humildemente entre os homens. Este testemunho, este exemplo de humildade do servo do Senhor, faz com que as pessoas glorifiquem ao Senhor Jesus. 
12 - Exemplos de servos humildes e de humildade segundo a bíblia. A humildade é uma característica fundamental do servo de Deus. Em Mateus 20:26-28, Jesus ensina: “Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” A verdadeira grandeza no Reino de Deus é encontrada na disposição de servir aos outros com humildade. 
13 – Devemos sempre estar aprendendo sobre o significado bíblico de humildade. A Bíblia fala que humildade é ser manso, simples e não pensar só em si mesmo. A palavra usada em Colossenses 3:12 quer dizer “humildade de mente, de coração”, ou seja, é algo que vem do coração, não só de aparência. Alguém pode até parecer humilde por fora, mas ainda ser orgulhoso por dentro. Jesus disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3). Isso quer dizer que só quem reconhece que não tem valor espiritual por si mesmo pode ter a vida eterna. Por isso, a humildade é essencial para quem segue a fé cristã. Ao se aproximar de Cristo, deve-se reconhecer com humildade que é pecador sem nada para oferecer além da necessidade de salvação. Não há mérito nem poder para a raça humana se salvar sozinha. Por isso, quando se recebe a graça e a misericórdia de Deus, aceita-se com gratidão e se entrega a Ele, então Jesus Cristo passa a ser a nossa razão de viver. 
14 - Quando alguém mata seu egocentrismo e seu egolatrismo, a pessoa se torna uma nova criatura em Cristo. Ele trocou nosso pecado pela Sua justiça, nossa fraqueza por Seu valor. Agora deve se viver pela fé no Filho de Deus, que morreu pelos humanos. Isso é ser humilde segundo a Bíblia. A humildade, segundo a Bíblia, não é só importante para entrar no reino de Deus, mas também para servir ao próximo, e amar ao próximo como a si mesmo. “Mas entre vocês não será assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vocês, que se coloque a serviço dos outros”, (Mateus 20:26-27). 
15 - Jesus é o nosso maior exemplo: Ele veio para servir, não para ser servido, e nos ensina a colocar os outros acima de nós mesmos. Essa postura evita o egoísmo, a vaidade e a necessidade de se justificar. Jesus se humilhou como servo e foi obediente até a morte na cruz. Da mesma forma, o cristão humilde deve deixar o egoísmo de lado e obedecer a Deus. A humildade verdadeira traz vida piedosa, contentamento e segurança. “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo”. (Filipenses 2:3). Deus dá graça aos humildes, mas resiste aos soberbos e orgulhosos, (Provérbios 3:34; 1 Pedro 5:5). Por isso, devemos reconhecer nosso orgulho e deixá-lo de lado. Se nos exaltarmos, Deus nos humilhará; mas se nos humilharmos, Ele nos dará mais graça e nos exaltará, (Lucas 14:11). 
16 - Além de Jesus, Paulo também é exemplo de humildade: mesmo com tantos dons, ele se via como “o principal dos pecadores” e “o menor dos apóstolos”. “Esta palavra é fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”, (1 Timóteo 1:15). “Porque eu sou o menor dos apóstolos, e nem mesmo sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus”. (1 Coríntios 15:9). Quem é realmente humilde confia na graça de Deus e não em si mesmo. 
17 - Quais são as características de alguém humilde? Segundo a Bíblia, as pessoas com a virtude da humildade compartilham características em comum. Conheça os principais aspectos de uma pessoa humilde. (1) Valoriza as pessoas e trata todos com respeito. Quem é humilde entende que ninguém é superior a ninguém diante de Deus. Por isso, trata todos com amor, inclusive aqueles de origem ou posição social diferentes da sua. Reconhece o valor de cada pessoa, pois Deus ama a todos igualmente (Romanos 12:16). (2) Reconhece suas falhas e limitações. A pessoa humilde sabe que não é perfeita. Ela não se compara aos outros nem finge ter tudo sob controle, mas admite seus erros com sinceridade e busca a ajuda de Deus para melhorar. (3) Não busca reconhecimento, nem elogios ou aplausos. O humilde faz o que é certo sem querer holofotes ou elogios. Ele serve em silêncio, com o coração voltado para Deus, e não para agradar os outros ou parecer mais espiritual. “Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas, quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará, (Mateus 6:2-4). (4) Serve a Deus com sinceridade. Em vez de usar os outros para alcançar seus objetivos, o humilde coloca os interesses alheios à frente dos seus. Ele está disposto a obedecer a Deus e ajudar os outros, mesmo em tarefas simples, desprezadas ou desprezíveis. (5) Pede perdão quando erra, e quem nunca errou? Ao perceber que machucou alguém ou falhou, o humilde tem coragem de pedir desculpas, pedir perdão, tanto a Deus quanto às pessoas envolvidas. Ele coloca a restauração dos relacionamentos acima do próprio orgulho. “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará”. (Tiago 4:8-10). (6) É grato a Deus por tudo que tem. O verdadeiro humilde reconhece que todos os dons, oportunidades e conquistas vêm de Deus. Mesmo se esforçando e trabalhando, ele não se esquece de que é Deus quem lhe dá a vida e tudo de bom. (7) Depende de Deus em todas as situações. A humildade leva a pessoa a confiar em Deus em cada passo da vida, e não só nos momentos de dificuldade. Ela entende que sem Deus nada pode fazer e que Ele é a fonte de todo sustento e direção. 
18 - Alguns dos maiores exemplos de humildade da Bíblia nos livros sagrados trazem nomes e histórias de homens e mulheres simples que se tornaram exemplos dos fiéis. Vejamos alguns dos maiores exemplos de humildade presentes na Bíblia. (1) A passagem do Publicano diz que "Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no íntimo: 'Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”. (2) "Mas o publicano ficou a distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: 'Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador”. (3) disse Jesus: "Eu digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado". (Lucas 18:10-14). 
19 - Essa passagem mostra dois homens: um fariseu orgulhoso que acredita ser superior a seus irmãos e um publicano envergonhado que se recusa a olhar para o céu por não acreditar ser merecedor de piedade. A lição está em compreender que no fim aqueles que reconhecem a necessidade do perdão divino são justificados por Jesus, os outros não são justificados porque não reconheceram a soberania de Deus e se apresentam sempre exaltados por si mesmos. 
20 - O sacrifício de Ester nos dá um exemplo de humildade e de fé em Deus. Ela fez o que lhe foi ensinado em casa e com o coração cheio de temor a Deus não se exaltou mas declarou a sua fé mesmo que isso lhe custasse a sua vida. (1) Ester era uma jovem judia que se tornou rainha da Pérsia (hoje Iram), casada com o rei Assuero (ou Xerxes), num tempo em que o povo judeu vivia espalhado pelo império persa. Mesmo sendo rainha, Ester manteve sua origem em segredo, pois os judeus eram vistos com desconfiança. (2) Um dia, um oficial do rei chamado Hamã elaborou um plano para exterminar todos os judeus do império. Mardoqueu, primo e tutor de Ester, pediu que ela usasse sua posição para interceder diante do rei e impedir esse massacre. Mas havia um problema: entrar na presença do rei sem ser chamada era proibido e poderia custar sua vida. Apesar do medo, Ester respondeu com fé e humildade: “Entrarei à presença do rei... e, se perecer, pereci”, (Ester 4:16). Ela jejuou, orou e se apresentou ao rei. Com sabedoria e coragem, conseguiu desmascarar Hamã e salvar seu povo. (3) Ester nos ensina que humildade não é fraqueza, mas coragem aliada à fé. Ela não buscou poder ou reconhecimento, mas colocou o bem dos outros acima de si mesma. Sua história mostra que, mesmo em silêncio e escondidos, Deus usa pessoas comuns para realizar grandes livramentos. A humildade de Ester salvou uma nação. 
21 - Rute e a lealdade invisível. Rute era uma mulher de um povo estrangeiro e muitas vezes desprezado pelos israelitas e pelos Moabitas. Ela se casou com um homem judeu, mas ficou viúva ainda jovem. Sua sogra, Noemi, também viúva e sem filhos, decidiu voltar para Israel, sua terra natal. Rute, mesmo sem ter nenhuma obrigação, escolheu ir com ela e cuidar dela, dizendo: “O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus”, (Rute 1:16). De volta a Belém, Rute humildemente passou a recolher sobras de trigo nos campos para sustentar a si mesma e a sogra, uma tarefa simples e cansativa. Foi nesse contexto que conheceu Boaz, um homem justo e respeitado, que notou sua fidelidade e generosidade. Com o tempo, Boaz se casou com Rute e eles tiveram um filho chamado Obede, avô do rei Davi e ancestral de Jesus Cristo. Rute nos ensina que a verdadeira humildade está em servir com amor e fidelidade, mesmo quando ninguém está vendo. Ela não buscou destaque, mas foi fiel nas pequenas coisas. Deus a exaltou grandemente. Rute, uma estrangeira simples, entrou para a história da salvação por causa de sua lealdade, obediência e humildade silenciosa. 
22 – Outro exemplo de humildade é Abigail que se curva diante de Davi, diante da ameaça de Davi de destruir toda a sua casa por causa de Nabal. Abigail era uma mulher sábia, sensata e humilde, casada com Nabal, um homem rico, porém tolo e grosseiro. Quando Davi, que ainda fugia de Saul, pediu provisões a Nabal em troca da proteção que havia dado aos seus pastores, Nabal respondeu com desprezo. Isso deixou Davi furioso, e ele decidiu atacar a casa de Nabal. Ao saber disso, Abigail agiu com rapidez e humildade. Sem contar ao marido, preparou comida e foi ao encontro de Davi. Quando o encontrou, curvou-se diante dele, pediu perdão pelo erro do marido e falou com sabedoria para evitar o derramamento de sangue (1 Samuel 25:23-31). Davi reconheceu a sabedoria dela, agradeceu e desistiu de atacar. Pouco tempo depois, Nabal morreu, e Abigail se tornou esposa de Davi. Abigail nos mostra que a humildade verdadeira sabe agir com sabedoria, coragem e paz, mesmo em situações tensas. Ela poderia ter ficado parada, mas preferiu interceder com humildade e salvar sua casa. Com respeito e discernimento, ela evitou um massacre e conquistou o respeito de um futuro rei. Sua história nos ensina que palavras humildes podem desarmar a ira e mudar o curso de grandes decisões. 
23 – Pedro chorou de arrependimento por haver negado a Jesus. Pedro, originalmente chamado Simão, era um pescador comum quando foi chamado por Jesus para ser Seu discípulo. Impulsivo, sincero e cheio de paixão, Pedro se destacou entre os doze. Foi ele quem declarou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, (Mateus 16:16), e Jesus respondeu que ele seria um dos exemplos de servo da futura igreja. Mas Pedro também teve quedas. Durante a prisão de Jesus, ele negou conhecê-lo três vezes, mesmo tendo prometido que nunca faria isso. “Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus tinha dito: "Antes que o galo cante, você me negará três vezes". E, saindo dali, chorou amargamente”. (Mateus 26:75) Foi um momento de dor e humilhação, mas também o começo de uma profunda transformação. 
24 - Depois da ressurreição, Jesus restaurou Pedro, perguntando três vezes se ele O amava e encarregando-o de apascentar Suas ovelhas (João 21:15-17). Pedro se tornou um líder firme e corajoso da igreja primitiva, pregando com ousadia e servindo com humildade. Pedro nos ensina que a verdadeira humildade está em reconhecer os próprios erros, se arrepender de coração e deixar Deus transformar sua vida. Ele falhou, mas não ficou preso à culpa. Voltou para Jesus com humildade e foi usado poderosamente. A história de Pedro mostra que Deus não exige perfeição, mas um coração sincero, disposto a aprender, mudar e seguir com fé. 
25 – Moisés, o legislador do deserto e libertador dos Hebreus. Moisés foi escolhido por Deus para libertar o povo de Israel da escravidão no Egito e conduzi-lo até a terra prometida. No entanto, sua história de humildade começa bem antes disso. Criado no palácio do faraó, Moisés teve acesso à riqueza e educação, mas escolheu abrir mão de tudo para se identificar com seu povo. Após cometer um erro e matar um egípcio, fugiu para o deserto e passou 40 anos como simples pastor de ovelhas. Foi nesse lugar de anonimato que Deus o chamou, falando com ele através de uma sarça ardente (Êxodo 3). Mesmo diante do chamado divino, Moisés hesitou, dizendo que não era eloquente nem capaz. Ele disse: “Quem sou eu para ir ao faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?” (Êxodo 3:11). Deus respondeu: "Eu estarei com você”. Apesar das inseguranças, Moisés obedeceu. Confrontou o faraó, liderou o povo nas pragas do Egito, atravessou o Mar Vermelho e recebeu a Lei no Monte Sinai. Ainda assim, ele sempre deu glórias a Deus, intercedeu pelo povo mesmo quando eles murmuravam, e suportou críticas sem buscar exaltação. A própria Bíblia diz que: “Era o homem Moisés muito humilde, mais do que todos os homens que havia sobre a terra”, (Números 12:3). Moisés nos ensina que humildade não é ausência de força, mas consciência da dependência total de Deus. Ele foi um grande líder, mas nunca agiu com arrogância. Reconhecia suas limitações e confiava no poder de Deus. Sua vida mostra que os mais usados por Deus são os que sabem que não podem nada sem Ele. 
26 – José o exemplo de escravo que tornou-se o governador do Egito. José, filho de Jacó e Raquel, era o penúltimo de doze irmãos e o preferido do pai, o que causava inveja em seus irmãos. Quando tinha 17 anos, José contou dois sonhos proféticos em que sua família se curvava diante dele, algo que aumentou ainda mais o ódio dos irmãos. Eles o venderam como escravo e fingiram que ele havia morrido, (Gênesis 37). No Egito, José passou por muitas provações: foi vendido como escravo, acusado injustamente pela esposa de Potifar e jogado na prisão. Mesmo assim, permaneceu fiel e humilde diante de Deus. Por interpretar corretamente os sonhos de outros presos e, depois, os do próprio faraó, José foi tirado da prisão e elevado ao cargo de governador do Egito (Gênesis 41). Anos depois, durante um tempo de fome, seus irmãos vieram ao Egito buscar alimento. José, agora poderoso, poderia se vingar, mas escolheu perdoar. Chorou diante deles, revelou sua identidade e disse: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem”, (Gênesis 50:20). José nos ensina que a humildade verdadeira é confiar em Deus mesmo quando tudo parece injusto. Ele não se deixou levar pelo orgulho nem pelo desejo de vingança. Com fé, paciência e perdão, José foi usado por Deus para salvar muitas vidas. Sua história mostra que Deus exalta quem permanece fiel e humilde, mesmo nas maiores dificuldades. 
27 – José, o carpinteiro de Nazaré e a fé cega em Deus. José, o carpinteiro, foi o homem escolhido por Deus para ser o pai terreno de Jesus. Ele era um judeu justo, descendente do rei Davi, e estava noivo de Maria quando soube que ela estava grávida. Sabendo que não era o pai da criança, José pensou em deixá-la em segredo, para não envergonhá-la publicamente. Mas Deus interveio: “um anjo apareceu a José em sonho e disse que o filho de Maria tinha sido gerado pelo Espírito Santo, e que ele deveria dar ao menino o nome de Jesus”. (Mateus 1:20-21). José, com fé e humildade, obedeceu. Assumiu a responsabilidade de proteger e cuidar de Maria e do menino Jesus, mesmo sem entender tudo completamente. Ele guiou a família até o Egito para fugir de Herodes, voltou com eles depois e ensinou a Jesus seu ofício de carpinteiro. José não aparece muito nas Escrituras, mas sua fidelidade silenciosa teve um papel crucial no plano de Deus. José nos ensina que humildade é confiar e obedecer mesmo sem ter todas as respostas. Ele não buscou fama nem explicações, apenas confiou em Deus e fez o que era certo. Com coragem e simplicidade, José cuidou da maior missão que alguém poderia receber: ser o pai adotivo do Filho de Deus. Sua vida mostra que Deus valoriza os que servem com discrição, fidelidade e fé. 
28 - Maria, a mãe de Jesus, mulher exemplar que foi agraciada por Deus para ser mãe de Jesus. Maria era uma jovem simples de Nazaré quando recebeu uma visita inesperada: o anjo Gabriel apareceu a ela anunciando que ela seria a mãe do Messias, o Filho de Deus. Mesmo assustada e sem entender como aquilo seria possível, Maria respondeu com humildade e fé: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. (Lucas 1:38). Ela sabia que poderia enfrentar julgamento, vergonha pública e até rejeição por estar grávida sem estar casada, mas confiou em Deus. Maria foi escolhida não por status ou riqueza, mas por seu coração obediente e humilde. Ela louvou a Deus dizendo: “O Senhor atentou para a humildade da sua serva”, (Lucas 1:48). Ao longo da vida de Jesus, Maria esteve ao seu lado: desde o nascimento em Belém até a crucificação. Em silêncio e fidelidade, ela suportou dores profundas, mas nunca deixou de confiar no plano de Deus. Maria nos ensina que a verdadeira humildade é se entregar totalmente à vontade de Deus, mesmo quando não se entende tudo ou quando o caminho parecer difícil. Ela não buscou destaque, mas foi exaltada por Deus por sua fé e obediência. Sua história mostra que Deus usa pessoas simples, de coração aberto, para realizar grandes propósitos. 
29 – O maior exemplo de humildade foi de Jesus o salvador. Jesus Cristo o Filho de Deus viveu e morreu como uma ovelha muda indo para o matadouro. Jesus Cristo, o Filho de Deus, é o maior exemplo de humildade na história. Embora fosse divino, Ele deixou Sua glória para nascer como um ser humano simples, em uma manjedoura em Belém. Viveu como carpinteiro, entre os pobres, e não buscou fama ou poder terrenos. A Bíblia diz que Ele “esvaziou-se de si mesmo, assumindo a forma de servo”, (Filipenses 2:7) e “foi obediente até à morte, e morte de cruz”. (Filipenses 2:8). Mesmo sendo Senhor de tudo, Jesus lavou os pés de seus discípulos, (João 13:5), perdoou pecadores, andou com os rejeitados e entregou Sua vida para salvar a humanidade. Vocês me chamam 'Mestre' e 'Senhor', e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei os seus pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. (João 13:13-15). Jesus ensinou: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva”, (Mateus 20:26). “Aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração”, (Mateus 11:29). 
30 - Nossas atitudes de humildade demonstram a nossa intimidade com o Espírito Santo de Deus. O fruto do Espírito contém todas as características necessárias para termos atitudes de humildade, Gl.5:22-23. O fruto do Espírito, descritos pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5:22-23, representam nove virtudes que demonstram o caráter de Deus na vida de um cristão: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança e domínio próprio. Eles são o resultado de uma vida guiada pelo Espírito Santo de Deus e demonstra em nós o caráter que temos de humildade que são, paz interior, libertação do orgulho, união com Deus e maior capacidade de amar os outros. Quem se humilha será exaltado, não vive preso à opiniões alheias, não se ensoberbece, não se desgasta tentando provar o seu valor, mas vive buscando ser cheio do Espírito Santo. E encontra descanso para sua alma, porque confia totalmente em Deus. A promessa de Jesus para quem quer ser humilde de verdade é esta: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas”. (Mt 11,29). 

Deus abençoe você e sua família. 

 Pr. Waldir Pedro de Souza. 
Bacharel em Teologia, Pastor e Escritor.