O EVANGÉLICO POLÍTICO E O POLÍTICO EVANGÉLICO
I – Em Mateus 16.26, Jesus pergunta: “De que adiantará uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará uma pessoa em troca de sua alma?” O que significa “ganhar o mundo inteiro”? Essa expressão significa valorizar os ganhos temporários e terrenos, recebendo tudo o que o mundo oferece, tal como dinheiro, fama, prazer, glória, poder, prestígio etc, ou seja: valorizar mais o mundo do que a Deus. O que significa “perder a alma”? Essa frase significa morrer sem um relacionamento correto com o Senhor Jesus Cristo nessa vida e ser condenado a passar a eternidade no “lago de fogo”, no inferno. Decidir em viver de forma comprometida com Jesus, significa que você entendeu Sua ordem em Mateus 16.24: “…Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Na verdade, “tomar a cruz” implica em ser condenado à morte. A declaração de Jesus simboliza um compromisso total e final com Ele. Em outras palavras, é preciso que você esteja disposto a desistir de tudo para ser um seguidor de Jesus Cristo. Isso também não quer dizer que você não possa fazer mais nada; isso significa que tudo o que te vier a mão para fazer, você deve fazer lembrando que esse “tudo" significa que você tem o dever de fazer tudo aquilo que agrada a Deus. Se desagradar a Deus então não faça.
II - Como deve ser a postura de um evangélico político e de um político evangélico? Há ainda uma reminiscência na memória de cada evangélico que há tempos idos as discriminações para com os mesmos eram as mais diversas, éramos tratados com todo aviltamento, porém, com o trabalho e crescimento sério que passaram a ter, algumas opiniões positivas foram sendo dadas por especialistas no campo da sociologia, antropologia, política e em revistas nacionais. Destacaremos alguns para efeito de recordação, já que hoje não somos mais tratados como escória da sociedade em que os crentes eram discriminados de tal forma que apedrejavam as casas dos mesmos como se eles não fizessem parte de uma sociedade em que todos têm os direitos iguais.
III - Para alguns antropólogos a suposta “alienação pentecostal” seria justamente fonte de mudanças efetivas porque cria comunidades de descontinuidades e transformações. Nas Palavras de outros os evangélicos representam um movimento de mudança radical, pois enfrentam de modo mais convincente assuntos envolvendo dinheiro, saúde, doenças, crise moral e familiar. Outros acham que os evangélicos representam uma emergência de uma nova sociedade igualitária. Mas uma tônica altissonante vem da imprensa escrita, na qual um diretor de uma organização não governamental afirma que hoje os evangélicos são a alternativa ao narcotráfico, a principal resistência em termos de produção de identidade, de conjunto de valores, de respeito pela força comunitária, exatamente pela valorização dos seus princípios imutáveis que são crenças e valores no que concerne à tudo o que Deus determinou para o ser humano, desde a criação, desde o Gênesis ou começos.
IV - Com tais assertivas sendo propagadas, os evangélicos deixaram de serem vistos apenas como homens da pregação, trabalhando apenas entre as quatro paredes dos templos, salões, como pessoas sem muita capacidade, isso se deve a ação dessa comunidade presente no aspecto espiritual, social e moral que valoriza mais o ser do que o ter. Os louvores pela atuação e postura dos evangélicos nas ações comunitárias, na igualdade social, na inclusão dos desprezados têm gerado aplausos, porém, pelo lado político, muitos evangélicos eleitos não provocaram grandes repercussões.
A - A tentação de serem corrompidos fez com que muitos pastores e líderes evangélicos se comprometessem com ilícitos que os tornaram iguais aos mundanos insanos que a lei deles não são mais os valores e princípios morais bíblicos, mas aceitam e defendem a mentira como se verdade fosse, esquecendo do princípio básico da fé que é a defesa da verdade e do verdadeiro Deus. A causa para isso tem sido a questão corporativista e triunfalista, que tem tido grande influência no meio evangélico. É bem verdade que com o crescimento dos evangélicos no Brasil algumas autoridades, e até a mídia têm se voltado para os mesmos. O aspecto numérico tem seu peso positivo, pois pode fazer com que alguns olhem para nós com mais respeito, todavia, quando prevalece o corporativismo evangélico na política, visando especificamente o interesse de uma determinada classe, isso se torna por demais perigoso.
B - Já há grande interesse nos partidos não evangélicos em colocar no seu partido pessoas que fazem parte dessa grande massa, é claro, não estão interessados nos seus valores cristãos, mas simplesmente em aumentarem a legenda dos seus partidos. Assim, todos acabam se tornando massa do mesmo pão, em que o fermento da hipocrisia e do dinheiro fala mais alto. Cada evangélico deve ter em mente que o sonho messiânico não se realiza por alguém ser da direita ou da esquerda, isso porque, pelo processo transitório da alternância do poder, qualquer um pode ser um bom ou péssimo presidente ou político de carreira, isso tem se configurado no cenário político do nosso país já de longa data. Existem candidatos evangélicos que estão concorrendo às eleições por partidos políticos esquerdistas. É o cúmulo do absurdo, mas já vi “evangélico” candidato por partido comunista querendo os votos dos evangélicos. Isso é uma afronta à inteligência de quem é evangélico de verdade, mas essas aberrações acontecem nos tempos de pedir votos nos templos evangélicos.
C - Pode um comunista dizer que é crente e subir nos púlpitos das igrejas evangélicas para pedir votos? Nem os verdadeiros Cristãos evangélicos devem fazer isso. O púlpito não é palanque de comícios, o púlpito deve ser respeitado como local sagrado de ministração da palavra de Deus. Comícios e shows políticos devem ser feitos fora dos templos. Então quando chegar um político que está imbuído de algum cargo e vier como uma autoridade, como deve ser o procedimento das igrejas? O político ou autoridades de qualquer órgão público deve ser recebido como autoridade e com as honras de autoridade. Pode até ser convidado para dar uma saudação aos presentes num culto o festividades da igreja sem se referir a pedidos de votos para quaisquer candidatos; mas se chegar qualquer pessoa candidato aos milhares de cargos eletivos, não se deve dar oportunidades para dirigir a palavra ao povo, deve ser feita a apresentação de tais candidatos de diversos partidos, pelo ministrante da reunião e mencionar o nome, o cargo que o político está concorrendo e o partido que o político está ligado, somente isso, campanha política não deve ser feita nos púlpitos das igrejas, devem serem feitas do lado de fora da igreja em qualquer outro lugar. O alerta de Deus está bem explicado nos Salmos 50:16-20 que diz: 16. Mas ao ímpio diz Deus: Que tens tu que recitar os meus estatutos e que tomar o meu concerto na tua boca, 17. pois aborreces a correção e lanças as minhas palavras para detrás de ti? 18. Quando vês o ladrão, consentes com ele; e tens a tua parte com adúlteros.
19. Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano. 20. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe.
1 - Os candidatos evangélicos postulantes à alguma vaga na política, não podem agir nem pensar corporativamente no aspecto político, ou seja, não podem e nem devem ser candidatos denominados de “candidato oficial da igreja”, antes devem ter uma postura que priorize a realidade de sua comunidade, sem serem apenas sonhadores, vão concorrer como servos de Deus e para representar bem as suas comunidades que os eleger. Os evangélicos, precisamente os candidatos, precisam de discursos não apenas teóricos, mas que sejam realmente mobilizadores, que reflitam os valores familiares como defesa da vida, segurança, honestidade, justiça, igualdade. Devem ser exemplo de suas qualidades antes, durante e depois das eleições.
2 - Para que os candidatos evangélicos tenham aceitação do seu público é necessário que as vidas dos mesmos sejam marcadas por procedimentos morais irretocáveis, têm que ser ficha limpa. Precisam defender de fato os bons usos e costumes e valores, inclusive da família, não tendo esse assunto como um chavão, mas que busque fazer isso com fundamentos legais e verdadeiros, com bases bíblicas históricas, ressaltando a importância da família no seu processo social existencial e histórico. Sem a família sendo valorizada não tem motivos para um candidato evangélico ser candidato e pedir votos nas igrejas evangélicas, porque a família é “a célula máter da sociedade”, principalmente da igreja.
3 - Tanto os candidatos evangélicos como os outros, precisam entender aquilo que faz parte de uma ação eclesiológica, religiosa e aquilo que não faz, daí a necessidade de se fazer distinção entre o valor moral de um povo e a legislação pertinente; saber isso é importante porque existem ações que vão depender do pastor, do seu ensino, de sua prática pastoral, mas outras são questões atinentes propriamente às leis do país, por exemplo, no tocante à pobreza, o que se deve fazer é lutar por reformas estruturais que diminua a má distribuição de renda, que dê maior qualidade de vida para os menos favorecidos e estas ações estão no caráter social das igrejas evangélicas como um todo. Um político evangélico pode lutar por ideias justas, claro, não por sua autoridade religiosa, mas pelos princípios bíblicos que lhe movem, não por causa da sua religião mas visando boas práticas sociais dentro e fora dos templos evangélicos e em todo tempo não só na época das eleições ou próximo à estes períodos eleitorais, essas mudanças no aspecto econômico e social devem nortear a vida dos políticos mas principalmente a coletividade evangélica.
4 - Na verdade, o que se pode propor é que haja uma conscientização política no meio evangélico para que se faça distinção entre pessoas e questões políticas, a fim de que não se faça discursos de ataques e menosprezos a qualquer pessoa por causa do seu partido. Precisamos entender que política é mais do que eleição, ela envolve diversos processos, o que requer da comunidade evangélica uma ação conscientizadora, pensante, reflexiva, daí a necessidade de palestras, encontros, seminários sobre o assunto, visando um crescimento coerente e bem ajustado, para que se ele estiver no meio deles, saiba proceder como Paulo, (1 Co 9.22).
5 - Não se pode votar em evangélico apenas por ser evangélico e nem em quem não é evangélico só por causa dos discursos bonitos que encantam qualquer um. Muito mais que isso, é necessário que ele seja modelo de vida, que tenha boas propostas, ideias que possam influenciar a sociedade para o bem. Que seja alguém capaz de trabalhar para que haja mudança de vida e gere no povo a esperança e a confiança necessárias para ser considerado um bom político. Jamais o candidato evangélico deve procurar impor sua crença ao povo, sua moral, antes por sua postura, por seu exemplo, deve evidenciar a todos que os valores cristãos estão também interessados no bem-estar da sociedade. É claro também que isso não invalida a sua obrigação de pregar a palavra de Deus, obedecendo o Ide de Jesus.
6 - As Igrejas e Convenções Evangélicas, no quesito de apresentar um candidato que vai concorrer a qualquer cargo eletivo, devem ater-se à vida, postura, conhecimento, ética e bom testemunho do candidato, não somente em sua comunidade, mas nas de fora também (1 Tm 3.7). Quando os evangélicos, por meio de seus representantes, desenvolverem políticas sociais sérias, que beneficiem a todos, expressando uma vida exemplar, os louvores dos de fora continuarão a crescer, mas isso só irá acontecer quando cada cristão, conscientemente votar em homens que desejam realmente fazer a justiça, que não pensam em si mesmos, mas que ajam baseados nos pilares da humildade e da verdade, não em compra de votos.
7 - A honestidade deve ser o referencial do crente político. A honestidade na Bíblia é apresentada como um mandamento fundamental e reflexo do caráter de Deus, que é a verdade, na vida do cristão. Envolve integridade, sinceridade e justiça, proibindo mentiras, roubos e falsos testemunhos. A Bíblia ensina que ser honesto é mais valioso que riquezas e agrada a Deus, mesmo que traga desafios temporários. (1) Os princípios de honestidade na Bíblia são vários. (2) Deus se agrada da integridade em tudo. (3) Deus se agrada da honestidade, pois Ele é o Deus da verdade e a Bíblia nos ensina que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. (4 O cristão deve abandonar a mentira e falar a verdade ao próximo. (5) A "Balança Justa" de Deus valoriza tudo o que fazemos e o honesto e detesta pesos e medidas falsos ou desonestidade nos negócios são condenados por Deus. (6) A Justiça e ser justo é um sacrifício constante. Fazer justiça e agir com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer sacrifícios de forma hipócrita. (7) A mentira é Abominação e traz condenação. Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, enquanto palavras verdadeiras permanecem para sempre. (8) A verdade é o mínimo que se espera do verdadeiro cristão sendo político ou não. (9) Com amor e com honestidade deve ser guiada a vida daqueles que amam a Deus. É pelo amor incondicional não sendo apenas uma forma de evitar o mal, mas um reflexo de amor a Deus e ao próximo que revelamos nossa fé em Deus no meio da sociedade.
8 – O que a Bíblia diz sobre honestidade. (1) Provérbios 11:1: "A balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer”. (2) Efésios 4:25: "Portanto, abandonem a mentira e digam a verdade a seu próximo, pois somos todos parte do mesmo corpo”. (3) Provérbios 19:1: "Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o de lábios perversos e tolo”. (3) Hebreus 13:18: "...queremos ( e devemos) nos comportar honestamente em todas as coisas”. (4) Lucas 16:10: "Quem é fiel no pouco também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco também é desonesto no muito”.
9 - A Bíblia também alerta que a desonestidade, embora possa parecer vantajosa inicialmente, leva à ruína e atrapalha a comunhão com Deus, enquanto a honestidade atrai a bênção divina e protege o homem íntegro. Já vi muitos irmãos em Cristo que eram uma benção na igreja e na comunhão dos santos nunca faltavam mas depois que ingressaram na política, a política passou a ser religião deles. Uns deram mal exemplo e nunca mais deram conta de levantar, mas uns poucos foram lá no meio dos políticos, deram bons exemplos e voltaram em paz para suas igrejas e suas famílias.
10 - Crentes podem se envolver com política, crentes podem ser políticos? Não há proibição bíblica e a participação é vista como forma de exercer cidadania e influenciar a sociedade com valores éticos e morais decentes. A atuação deve ser focada no serviço público, integridade e vocação, sem usar a igreja como curral eleitoral ou filiar-se a ideologias que contrariem a fé. Existem pontos importantes sobre o tema que devem ser observados. (1) Exemplos Bíblicos, tais como de José, Daniel, Neemias e Ester que ocuparam altos cargos públicos, demonstrando a possibilidade de atuar na política sem se contaminar com coisas ilícitas. (2) O papel do Cristão sempre deve ser exemplo dos fiéis em qualquer cargo eletivo ou não que ocupe na política. O envolvimento é visto por muitos como um chamado para atuar na sociedade, apresentando respostas baseadas na Bíblia para questões sociais, dentre tantas outras. (3) A diferença que existe entre igreja e estado é muito grande. A igreja, como instituição religiosa, não deve se envolver em política partidária, mas os crentes, como indivíduos, podem e devem participar para ser o diferencial de honradez no meio de uma sociedade corrompida.
11 – A ética e a vocação do cidadão crente para a política sempre demonstra a qualidade do serviço social que ele presta à sociedade. A política deve ser vista como uma vocação de serviço, exigindo preparo intelectual e compromisso com ética, evitando a corrupção e a busca por poder pessoal. (1) Os riscos que um crente político corre é de se contaminar com o meio sujo da política A polarização política pode gerar divisões dentro da igreja, sendo necessário cautela para que o Evangelho não seja confundido como interesses pessoais e partidários. A participação é encorajada para a promoção da justiça, desde que o político cristão mantenha seus valores e não se corrompa.
12 - Um cristão deve se envolver em política Sim, o cristão informado deve se envolver em política. Política no sentido geral é trabalhar para o bem comum da sociedade. Política pode envolver ajudar as pessoas em necessidade, alertar as autoridades e ajudar a resolver problemas ou até trabalhar no governo. A Bíblia nos chama a cuidar dos outros e a ser uma bênção em tudo o que fazemos, (Tiago 1:27). (1) Todo crente pertence ao Reino de Deus, mas isso não significa que não pode se envolver na política do seu país, do seu estado, do seu município. O cristão, enquanto vive aqui na terra, tem dupla nacionalidade. Isso significa que tem direitos e deveres para com o seu país terrestre e com o seu país eterno. (2) Ignorar a política numa sociedade democrática é irresponsável. Como cidadãos temos o poder para escolher quem vai governar. Se não fizermos isso também não temos direito de queixar quando um governador, prefeito ou até mesmo um presidente ruim é eleito, porque o nosso voto podia ter colocado uma pessoa mais honesta no seu lugar. É também o dever de todo o cidadão crente exigir que seus governantes sejam íntegros e cooperar com eles para melhorar a sociedade, (1 Pedro 2:13-14).
13 - O cristão deve votar em quem acredita que vai fazer o melhor para a sua sociedade. Antes de votar é muito importante analisar com cuidado as opções e o que cada candidato pretende fazer, não só a sua propaganda, (1 Tessalonicenses 5:21). (1) Por exemplo, um candidato pode ser muito carismático mas seus planos podem estar completamente desajustados com as necessidades do povo. Também é muito importante orar e pedir orientação a Deus na sua escolha. E mesmo que seu candidato não ganhe, ore pelo governo, para que seja sábio e traga paz, (1 Timóteo 2:1-2). Foi Deus que deu autoridade ao governo mas se deixarmos Deus de fora, quem fica com a autoridade é o diabo.
14 - O Cristão pode ser político ativo ou participar ativamente da política. Um cristão, qualquer Cristão pode ser político sim se esse for o seu chamado. Tal como qualquer outra profissão, a política tem muita corrupção. O cristão que entra nesse meio precisa ser um exemplo de integridade, de honestidade, de fidelidade, pedindo sempre forças a Deus para sempre fazer o que é correto. Como crente, você também pode fazer campanha de maneira honesta, sem mentir nem fazer luta suja contra outros candidatos. Não podemos esperar que ímpios sigam a vontade de Deus, por isso é muito importante formar crentes fortes e prontos para fazer a diferença no meio da política.
15 - Temos vários casos na Bíblia de homens e mulheres de Deus envolvidos na política, até mesmo em países ímpios como o Egito (José) e a Babilônia (Daniel, Neemias). Esses homens tinham um dom para governar e foram usados de maneira poderosa por Deus. Também na História secular temos casos de bons políticos cristãos. Dois exemplos foram Abraham Lincoln dos Estados Unidos e William Wilberforce na Inglaterra, que aboliram a escravatura em seus países. Se você tem um dom para economia e seu país está em crise, porquê não servir como Ministro da Economia? O mesmo se aplica a qualquer outro cargo político. Deus recompensa os íntegros, que fazem um bom trabalho (Salmos 37:37).
16 - Ser cristão não qualifica ou desqualifica ninguém para ser político, tal como não qualifica para ser arquiteto ou qualquer outra profissão. É preciso formação adequada. Também não é bom um líder de igreja ocupar cargos políticos, daí a coisa já é diferente. Qualquer crente, pastor ou que tenha algum cargo na igreja, deve se desincompatibilizar ou seja, deve deixar o seu cargo na igreja, mesmo que seja o de pastor principal da igreja, se você for eleito então você vai para sua repartição assumir o seu cargo, se não for eleito você volta para a igreja e fica aguardando para ser reintegrado no seu cargo. Esses são dois trabalhos muito exigentes e um ficará prejudicado. É melhor ter um ministério de cada vez. A Igreja pode ensinar sobre a importância da política mas não deve tomar partidos e nem ser curral fechado de votos para nenhum candidato. A escolha é individual, o voto é secreto, e cada um deve orar e pedir a direção de Deus para votar certo, e assim de acordo com a consciência de cada um, será eleito o melhor.
17 – (1) José não caiu de paraquedas lá no trono do governo do Egito. Ele pagou um preço muito alto de fidelidade a Deus. (2) Davi não caiu de paraquedas lá no trono do trono de Israel, ele também pagou um preço muito alto. (3) Não há nada na Bíblia que proíba que um cristão se candidate e exerça uma função política. A verdade de que a Igreja, como organização, não deve se envolver com política, e isso não significa que os cristãos são proibidos de ocuparem cargos públicos. (4) A Bíblia registra as histórias de muitos homens e mulheres de Deus que passaram boa parte de suas vidas inseridos num ambiente político. Essas pessoas ocuparam cargos públicos ou exerceram, de alguma forma, uma posição política muito influente. Inclusive, muitos foram levantados por Deus num contexto de crise.
18 - Podemos falar aqui de José, governador do Egito, de Daniel, de Neemias, de Ester e tantos outros. Todos eles tiveram em comum a condição de que jamais se corromperam e sempre honraram os princípios morais determinados por Deus. Portanto, os cristãos podem e devem ser políticos, mas devem fazer isto na qualidade de cidadãos e não como representantes da Igreja, lá eles vão demonstrar a diferença de quem serve a um Deus vivo de verdade.
19 - Como deve ser a atuação do cristão na política? Ao mesmo tempo em que o cristão não abre mão de sua fé e de seus princípios para ser político, ele também não deve distorcer seu cargo público para exercer funções eclesiásticas. Isso significa que num plenário político o cristão não age como pastor, presbítero ou diácono, mas como cidadão que presa pela moral, pela ordem e pelos bons costumes. Infelizmente nos últimos tempos essa associação tem trazido prejuízo à imagem do povo de Deus. Muitas pessoas mal intencionadas tem usado a comunidade cristã para impulsionar sua vida política e envergonhar o Evangelho. Aliás, se um pastor local permite campanha eleitoral em sua congregação, além de ele estar traindo o seu chamado ministerial, também está cometendo crime contra a lei eleitoral.
20 - A Igreja não deve fazer campanha política, mas ela deve instruir e conscientizar os seus fieis acerca de como entender a política à luz da Bíblia Sagrada. Se um cristão quer seguir carreira na política, ele deve ter vocação para isto e se preparar para exercer seu cargo. Nesse sentido a Igreja pode auxiliá-lo fornecendo preparo no que diz respeito à cosmovisão cristã, para que ele exerça sua função com excelência. (1) Quer dizer então que pastor pode ser político? Esta é uma questão muito debatida e existem diferentes posicionamentos a respeito. De qualquer forma parece ser inadmissível a condição de pastores que querem combinar o exercício do pastorado e suas funções políticas. Ao fazerem isto, essas pessoas erram contra a sociedade em geral e contra a própria comunidade cristã. (2) Se um pastor quiser se candidatar e exercer um cargo político, o correto então é que ele decline de seu ministério pastoral e dedique-se a sua nova função. Quando o apóstolo Paulo aconselhou a Timóteo acerca do pastorado, ele deixou claro o quanto esse ministério exige do obreiro, (2 Timóteo 2:3,4). (3) Não há como conciliar pastorado e política, pelo menos não corretamente. O pastor deve ter ciência da tamanha honra que lhe fora confiada na ministração da Palavra de Deus e na administração das ordenanças de Cristo à Igreja e definitivamente nada deve competir com essa função.
21 - Embora o contexto seja outro, aqui podemos lembrar de um episódio registrado no livro de Atos. Os apóstolos se viram envolvidos na questão do assistencialismo às viúvas na Igreja Primitiva. Então os doze convocaram à comunidade cristã e deram o seguinte parecer: “Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas”, (Atos 6:2). Cremos que esse seja um bom conselho àqueles que pensam poder exercer simultaneamente o pastorado e o cargo político.
22 – Escândalo de crentes na política têm causado muitos prejuízos ao Reino de Deus. A atuação de pastores e líderes evangélicos na política têm sido um desastre, com raras exceções, pois não são poucos os escândalos. A atuação de líderes religiosos e políticos ligados a igrejas (especialmente evangélicas neopentecostais) na política brasileira tem sido marcada por diversos escândalos, envolvendo acusações de corrupção, manipulação e desvios de conduta, o que gera debates sobre a mistura entre fé e poder. Aqui estão alguns dos principais casos e contextos recentes sobre o assunto. (1) Escândalo do "Gabinete Paralelo": Investigações dão conta de que pastores atuavam como lobistas. Eles controlavam a agenda e a liberação de verbas até de ministérios durante a gestão de líderes evangélicos. Atuavam também pedindo propina em dinheiro e até em ouro a políticos investidos de cargo público em troca de recursos. O escândalo ficou conhecido pela denúncia de compra de literaturas superfaturadas e pedidos de propina que incluíam até ouro. (2) Fraudes e Envolvimento de Igrejas com investigações que apontaram o envolvimento de grandes denominações religiosas e pastores em esquemas de fraudes. Envolvendo desvios que chegaram à cifra dos milhões. Nomes de pastores e igrejas foram citados na lista divulgada após pressões. (3); As Investigações abriram apuração sobre supostos desvios de dinheiro por parte de ex-diretora da liderança de uma grande igreja. (4) Rachadinhas e uso político da religião quando parlamentares da chamada "bancada da Bíblia" são frequentemente investigados por "rachadinhas”, que é a apropriação de parte do salário de seus assessores, lavagem de dinheiro e uso da fé como escudo político. (5) Pressão por votos e perseguição interna em eleições que segundo relatos indicaram que pastores e líderes religiosos ameaçaram com castigos divinos ou punições internas a fiéis que não apoiassem a reeleição de seus candidatos preferenciais gerando um ambiente de perseguição dentro de templos. (6) Líderes foram investigados e muitas controvérsias macularam figuras influentes em seus pleitos na defesa dos seus candidatos preferenciais, eles enfrentaram diversas denúncias ao longo dos anos, desde importação fraudulenta de equipamentos até envolvimento em polêmicas sobre posicionamentos morais. (7) Esses casos têm gerado um "desencanto" de parte dos fiéis e debates sobre a ética no uso da religião para obtenção de poder e dinheiro. Da política para os púlpitos aconteceu o contrário porque líderes evangélicos que agiam como se fossem donos das suas denominações, causaram grandes prejuízos ao Reino de Deus e às suas denominações, causaram derrotas e divisões porque agiram para tirar proveito próprio. Aqueles que lutaram, e graças a Deus foi a maioria, pela verdade do Evangelho puro e verdadeiro, saíram desses embates muito mais fortalecidos diante de Deus e da sociedade, porque foram para os debates com a verdade da palavra de Deus. Esses valores obreiros, assim como o Apóstolo Paulo e cada um a seu tempo, defenderam a fé em Jesus Cristo como nosso Único e suficiente Salvador de nossas almas. João 3.16. João 10.10. Lembre-se que o crente, o pastor, o servo de Deus deve ser fiel e nunca se mancomunar com os mentirosos. Jesus pagou um alto preço pela sua salvação, não se venda de forma nenhuma, você foi chamado para ser luz no meio das trevas.
23 - No contexto da apologética do apóstolo Paulo diante de um iminente conflito espiritual vivido em sua trajetória ministerial, o Apóstolo Paulo, que antes da sua conversão era conhecido no meio político e social como Saulo de Tarso, era respeitadíssimo com relação à sua formação diante dos pés de Gamaliel e tinha todos os documentos e referenciais de um cidadão Romano e aparentemente era um cidadão rico e possuidor de muitos bens de família. Foi político, foi Apóstolo sem se desviar do propósito do seu chamado para o ministério.
24 - A Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios é, possivelmente, a mais pessoal e emocional de todas as cartas do apóstolo Paulo. Nela, ele abre o seu coração, revelando as profundas angústias, as alegrias sinceras e a paixão zelosa que sentia pela igreja que fundou em Corinto. Os capítulos 10 a 13, em particular, formam uma seção intensamente apologética, onde Paulo é compelido a defender a sua autoridade apostólica contra os ataques de falsos mestres que haviam se infiltrado na comunidade evangélica.
25 - Esses opositores, a quem Paulo ironicamente chama de "superapóstolos" (2 Co 11:5), utilizavam critérios mundanos para avaliar o ministério. Eles se promoviam com base em sua eloquência, sua aparência imponente e suas credenciais humanas. Em contraste, eles diminuíam Paulo, acusando-o de ser fraco e desprezível em sua presença física, embora ousado e severo apenas à distância, por meio de suas cartas. É nesse cenário de conflito que o capítulo 10 se inicia. Paulo não está travando uma batalha por seu ego, mas pela pureza do Evangelho e pela saúde espiritual da igreja de Corinto. Ao defender seu ministério, ele estabelece princípios atemporais sobre a natureza da guerra espiritual, o perigo do julgamento superficial e a verdadeira medida do sucesso aos olhos de Deus.
26 - A natureza da guerra espiritual que Paulo enfrentou, (v. 1-6).v Paulo inicia sua defesa com um apelo pessoal, mencionando a “mansidão e benignidade de Cristo” (v. 1). Ele se apresenta de forma humilde, ecoando o caráter do Mestre. Contudo, essa humildade não deve ser confundida com fraqueza. Ele aborda diretamente a acusação de que ele agia “segundo a carne”, ou seja, com motivações e métodos humanos. O cerne de sua argumentação se encontra nos versículos 3 a 5, que contêm um dos mais importantes ensinamentos sobre o combate espiritual em todo o Novo Testamento: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo”. (v. 3-5).
27 - Lute as batalhas certas com as armas certas: A igreja não avança por meio de estratégias de marketing, poder político ou debates raivosos nas redes sociais. Essas são armas carnais. A verdadeira batalha é espiritual, travada contra fortalezas ideológicas e espirituais. Nossas armas são a verdade do Evangelho, a oração perseverante, a santidade pessoal e a proclamação fiel da Palavra de Deus. Devemos nos concentrar em levar cativo o nosso próprio pensamento e o de outros à obediência de Cristo. Valorize a substância em vez da aparência: Em uma cultura obcecada pela imagem, somos constantemente tentados a julgar líderes e ministérios por sua aparência, carisma, número de seguidores ou qualidade de produção. Paulo nos chama a olhar para além do superficial. Devemos valorizar a fidelidade doutrinária, a humildade de caráter, o amor sacrificial pelo rebanho e a paixão pela edificação dos santos.
28 - Encontre contentamento em seu chamado: O veneno da comparação ministerial é tão mortal hoje quanto era em Corinto. Medir nosso valor ou sucesso comparando-nos com outros é, como diz Paulo, "sem entendimento". Cada crente, no exercício do sacerdócio universal, recebeu do Senhor uma esfera de influência, um chamado. Seja ele grande ou pequeno aos olhos do mundo, nossa responsabilidade é ser fiel dentro dos limites que Deus nos designou, servindo com integridade e diligência. Busque a aprovação de Deus, não a dos homens: A motivação final de todo serviço cristão deve ser a glória de Deus. A pergunta que deve guiar nossas ações não é "O que as pessoas pensarão?", mas "Isto agrada ao Senhor?". Quando nossa identidade está firmada em Cristo e nossa satisfação está em Sua aprovação, somos libertos da tirania da opinião pública e da ansiedade paralisante de ter que nos autopromover. Nosso maior testemunho é uma vida que aponta para Ele, para que, em tudo, o Senhor seja glorificado.
29 - Em 2 Coríntios 10, o apóstolo Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, transforma uma defesa pessoal em um manifesto atemporal sobre a natureza do verdadeiro ministério cristão. Ele nos ensina que a autoridade espiritual não se manifesta com arrogância, mas com a mansidão de Cristo; que a guerra espiritual é vencida com o poder de Deus, não com a sabedoria humana; e que a verdadeira glória não é encontrada na “autoexaltação”, mas em se gloriar unicamente e exclusivamente no Senhor Jesus e na glória do Seu poder.
Deus abençoe você e sua família.
Pr. Waldir Pedro de Souza
Bacharel em Teologia, Pastor e Escritor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário