FRAQUEZA EMOCIONAL CAUSA QUEDA DA LUCIDEZ
I - Felizmente,
mesmo quando a carne é fraca, o domínio próprio permanece como uma parte
poderosa do fruto do Espírito Santo em nossas vidas, nos auxiliando a enxergar
a saída do fundo do poço. Nossa vida é cheia de altos e baixos. As causas que
podem nos levar, por vezes, à depressão, são as mais variadas, impactando
nossas emoções, dilacerando nosso espírito e nos fazendo escorregar, pouco a
pouco, para o fundo do poço. E muitos de nós poderemos chegar às cavernas e
poços da vida algum dia. Como reagir? Como encontrar ajuda neste vale escuro
que nos parece sem saída?
II -
Milhões de perguntas surgem em nossa mente, deixando-nos confusos e perdidos,
entorpecidos diante de todas as inseguranças quanto ao amanhã. Nos vemos
solitários em nossos baús de recordações quando, nos bons tempos, as pessoas
nos rodeavam e, com elogios enchiam nossos egos, fazendo-nos brilhar. Mas agora
só nos restam as recordações, e as pessoas se foram. Até mesmo os amigos mais
chegados. Estamos sozinhos. Parece que ninguém mais se lembra de nós, e o nosso
retrato no espelho está distorcido e distante. Nem nós nos reconhecemos a
nós mesmos .
III
- No escuro da nossa vida não conseguimos discernir bem nem mesmo quem somos,
ou nos lembrar de quem éramos, ou pensar se teremos um amanhã. Ontem derrubamos
gigantes, mas hoje nos deixamos assustar até com o zumbir de um mosquito. Assim
Davi se sentia, no fundo do poço, na caverna. Duas cavernas, Adulão e Engedi,
foram refúgio para este fiel, amoroso amigo de Deus, chamado por ele para uma
grande missão, homem segundo o coração de Deus. Herói de seu povo depois de
derrubar o gigante Golias, vencer exércitos inimigos e ser transportado do
pastoreio de ovelhas nos campos para o palácio real e ungido como rei no lugar
de Saul, agora era o objeto de sua obsessão por matá-lo, tendo que fugir e se
esconder. Gente que ama ao Senhor e é amado por Ele também pode atravessar os
vales escuros da vida.
A - Mas
Davi conhecia um Amigo que não o abandonara e nunca o faria, o Senhor Deus, o
Senhor dos exércitos. E foi a Ele a quem Davi clamou: “Ao Senhor ergo a minha
voz e clamo; com a minha voz suplico ao Senhor. Derramo diante dele a minha
queixa, à sua presença exponho a minha angústia. Quando dentro de mim esmorece
o espírito, tu sabes o caminho por onde devo andar”. (Salmos 142.1-3a).
(1) Davi sabia que, pior que a situação em que se encontrava, era sua reação
diante do sofrimento que o acometerá, era a sua alma que estava no cárcere da
vida, e clamava ao Senhor por uma saída. (2) Por isso, ele fez ao Senhor o seu
pedido maior, aquele que somente Ele poderia atender: “Tira a minha alma do
cárcere para que eu dê graças ao teu nome; os justos me rodearão quando me
fizeres esse bem”, (Salmos 142.7).
B - O
que é o domínio próprio para agir numa situação desagradável como esta de Davi.
O domínio próprio é, dentre muitas situações, a capacidade de olhar para um
pedaço de bolo de chocolate e não comê-lo; é clicar acidentalmente em um link
explícito e fechar imediatamente a janela; ao ouvir fofocas indecentes,
encerrar a conversa. Diz no livro de Provérbios que quando a sedutora corteja o
jovem com domínio próprio dizendo, “já perfumei o meu leito com mirra, aloés e
cinamomo”, (Pv 7.17), ele foge tal como José, (Gn 39.12). O domínio próprio é a
rejeição da tentação e a recusa de ceder ao domínio do pecado residente na
proposta e na situação. O cinamomo era na Bíblia uma especiaria aromática
preciosa, associada à canela ou a uma casca aromática semelhante, extraída de
árvores do Extremo Oriente e usada em óleos sagrados e perfumes. José do Egito
não caiu no encanto dos desejos da mulher de Potifar e nem dos perfumes mais
aromáticos.
C - Mesmo
que alguns erroneamente tenham reduzido o cristianismo a uma lista do que fazer
ou do que não fazer, não podemos descartar o domínio próprio. Quando Paulo
estava sendo julgado, compartilhou o evangelho com Félix, “dissertou acerca da
justiça, do domínio próprio e do Juízo vindouro”, (At 24.25). Resistir à
tentação não é o evangelho, mas é uma marca de todos aqueles que vieram a
acolhe-lo verdadeiramente. Paulo mais tarde insistiu que os cristãos às vezes
podem desistir daquilo que são livres para desfrutar se isso significar ganhar
outros para Cristo. Tal benevolência requer domínio próprio, (1 Co 9.25). Pedro
concordou. Os verdadeiros crentes têm mais do que conhecimento racional. São
caracterizados pelo domínio próprio, que flui da fé que Deus lhes deu, (2Pe
1.5-6).
1 - Não
deveria ser surpresa que Paulo terminou sua lista do fruto do Espírito com o
domínio próprio. Após listar o amor, a alegria, a paz, a longanimidade, a
benignidade, a bondade, a fidelidade e a mansidão, a temperança ( que é o
domínio próprio), Paulo quer que coloquemos a mão na obra com muita responsabilidade.
Seja o que for que nos impeça de amar aos outros ou de sermos mansos, aquilo
necessita ser eliminado de nossas vidas. No entanto, os desejos da carne não
cairão sem luta. Caminhar em amor e com alegria não será fácil. Necessitamos de
domínio próprio. Paulo colocou isto desta maneira “E os que são de Cristo Jesus
crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências”, (Gl 5.24). A
presença do domínio próprio é a prova disto, de que estamos crucificados com
Cristo.
2 - Não
esqueçamos que cada um de nós necessitamos desesperadamente de santidade, no
sentido de santificação, e não apenas porque precisamos ser bons exemplos para
o rebanho ou para o mundo, (Lc 6.40), mas porque sem santificação não veremos o
Senhor, (Hb 12.14). No momento em que nos preocupamos mais com a nossa
reputação do que com a nossa alma, perdemos a batalha e estamos a caminho de
perder a guerra. Diz um hino: Eu sou fraco e sem vigor”, e até desamparado mas algo vindo de Deus
acontece conosco e nossas forças são renovadas. Deus não vira as costas para seus
filhos. Pode demorar mas a vitória, se ainda não chegou, com certeza chegará.
(1) Quando dizemos eu sou fraco e necessitado e já não tenho nenhum vigor e
nenhuma esperança, então a gente tem que orar e gemer e chorar na presença de
Deus até sair do fundo do poço. (2) O reconhecimento de que você é fraco e
necessitado é o ponto de partida para encontrar o cuidado e a força de Deus,
como dizem as Escrituras no Salmos 40:17. "Mas eu sou pobre e necessitado;
contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te
detenhas, ó meu Deus”. O texto do Salmo 70:5 na Bíblia Evangélica diz:
"Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te por mim, ó Deus. Tu és
o meu auxílio e o meu libertador; Senhor, não te detenhas”.
3 - Essa
vulnerabilidade não é sinal de fracasso, mas uma confissão sincera de que
dependemos de algo maior do que nós mesmos. Vários Salmos, como o Salmos 86:1-2
e o Salmos 70:5, mostram que clamar a Deus no momento de fraqueza atrai o
socorro e a presença dEle. A Bíblia traz reflexões profundas sobre como o
Senhor cuida de quem se sente assim. Se você está passando por um momento de
cansaço físico, emocional ou espiritual, recorra urgentemente ao Senhor Jesus.
4 - Deus
é invencível, mas eu não o sou, (1 Co 10.12). Ainda é possível eu cair e
naufragar na fé (1Tm 1.19). Sei que o Espírito Santo está dentro de mim, e
descanso no fato de que, com a ajuda de Deus, sou forte. Mas descansar nestas
verdades não me leva a lutar menos; me incita a lutar mais. (1) Por esta razão,
estou empenhado em ser um livro aberto com todos que servem a Deus comigo. Mas
a vontade de ser franco quando perguntado não é suficiente pelo menos não para
mim. Portanto, tomo a iniciativa de confessar meus pecados a Deus e específico
a Ele minhas fraquezas. Ele não é meu sacerdote nem meu mediador, Ele é o meu
Deus. Qualquer sinal de um “perverso coração de incredulidade”, (Hb 3.12), pode
afastar qualquer um da presença de Deus. Não deixem que a meditação sobre o
fruto do Espírito sirva como desculpa para não realizar a árdua tarefa de
erradicar as “obras da carne” de sua vida, (Gl. 5.19). Faça-o pelo bem da sua
família e da sua própria vida. Mas, em última análise, busque a santidade, a
santificação pelo bem de sua própria alma. Mesmo porque a Bíblia diz que a alma
que pecar, essa morrerá. A frase "a alma que pecar, essa morrerá"
está registrada na Bíblia Sagrada no livro de Ezequiel 18:4 e 18:20.
5 - Como
enxergar a saída do fundo do poço segundo a bíblia? A Bíblia nos mostra que o
fundo do poço nunca é o fim da linha, mas sim o lugar onde Deus inicia os
maiores resgates e transformações da história humana. Quando você não enxergar
nenhuma saída ao seu redor, as Escrituras ensinam que a única direção que resta
é olhar para cima. Como encontrar e enxergar a saída do fundo do poço através
da Palavra de Deus?
6 - O
Resgate Prometido. A promessa de que você vai sair do fundo do poço. NoO texto
bíblico mais emblemático sobre esse sentimento está no livro de Salmos. Ele
garante que Deus escuta o clamor de quem perdeu o chão. "Ele me tirou de
um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha
e firmou os meus passos”. Salmos 40:2.
7 - Existem
personagens reais que estiveram no "Fundo do Poço". A Bíblia não
esconde a dor humana; ela relata pessoas que viveram o fundo do poço de forma
literal e metafórica, e como saíram de lá. (1) José do Egito é um exemplo. Foi
jogado em um poço físico por seus próprios irmãos e vendido como escravo.
Parecia o fim, mas o poço foi apenas uma etapa no plano de Deus para
transformá-lo em governador do Egito. (2) O Profeta Jeremias foi lançado em uma
cisterna profunda cheia de lama por pregar a verdade. Ele afundou na lama e não
tinha forças para sair sozinho, mas Deus moveu o coração de pessoas para
tirá-lo de lá usando cordas e trapos. (3) O Rei Davi enfrentou crises de
depressão, perseguição e o peso dos próprios erros (como descrito no Salmo
42:11: "Por que estás abatida, ó minha alma?"). Ele encontrou a saída
ao trazer à memória aquilo que lhe dava esperança.
8 – As
atitudes bíblicas para enxergar a saída do fundo do poço. (2) Para mudar a sua
visão enquanto estiver no fundo do poço, você precisa mudar o foco da sua
atenção. Pare de olhar para as paredes do poço; Na passagem de João 4, a mulher
samaritana disse a Jesus: "O poço é fundo, onde vais conseguir essa
água?". Às vezes focamos tanto na profundidade do problema que não
enxergamos a "Água Viva" (Jesus) bem na nossa frente. (3) Ative a sua
memória espiritual, o livro de Lamentações 3:21 traz uma chave poderosa que diz
assim: "Quero trazer à memória o que me pode dar esperança". Force
sua mente a lembrar dos livramentos que você ou sua família já tiveram no
passado. (4) Use a sua voz para clamar,
não para reclamar. No pior momento do profeta Jonas, de dentro do ventre de um
grande peixe (o seu fundo do poço), ele orou: "Na minha angústia clamei ao
Senhor, e ele me respondeu" (Jonas 2:2). O clamor abre portas que as
circunstâncias trancaram. (5) O fundo do poço é um lugar excelente para
reconstruir a vida, porque ali a poeira das ilusões desaparece e você descobre
que Deus é tudo o que você realmente tem.
9 –
O que é queda da lucidez na bíblia? A expressão "queda da lucidez"
refere-se à perda do discernimento espiritual, do bom senso e do temor a Deus,
geralmente provocada pelo orgulho, pela vaidade ou pela obstinação do pecado.
Embora o termo exato "queda da lucidez" seja uma construção teológica
moderna e pastoral, o conceito está profundamente enraizado nas Escrituras,
descrevendo o momento em que um indivíduo tem sua mente "anestesiada"
ou cegada pelas próprias paixões carnais e pela soberba.
10 -
A Raiz Bíblica do orgulho e da soberba é
o fato da pessoa se auto exaltar e nunca aceitar a sua pequenez diante de Deus.
(1) O texto bíblico mais famoso que conecta a perda de bom senso à ruína está no
livro de Provérbios e diz: "A soberba precede a ruína, e a altivez do
espírito, a queda”, (Provérbios 16:18). (2) Quando uma pessoa se torna
extremamente orgulhosa, ela perde a capacidade de enxergar a realidade com
clareza (perde a lucidez). Ela passa a acreditar que está acima das
consequências ou das leis de Deus, o que invariavelmente a conduz ao erro e ao
fracasso espiritual. (3) A
"Embriaguez" do desejo causa essa queda da lucidez. Muitos teólogos e
pregadores explicam que a queda da lucidez ocorre quando o ser humano se deixa
levar por uma vontade desordenada.
11 -
O mecanismo do pecado para a queda da pessoa exaltada. (1) O pecado funciona
como um anestésico. Ele promete prazer imediato e esconde o custo real da
desobediência. (2) O exemplo do Rei Davi é tudo aquilo que ele não deveria ter
feito, mas se ensoberbeceu e fez. Davi era um homem segundo o coração de Deus,
mas perdeu temporariamente sua lucidez espiritual ao cobiçar Bate-Seba e
planejar a morte do marido dela chamado Urias. Ele não agiu por carência, mas
sim porque sua mente perdeu o temor a Deus diante do desejo. (3) O Sentido
Literal na Bíblia. Em algumas traduções das Bíblias católicas (como as que
incluem os livros deuterocanônicos, apócrifos), o termo "perder a
lucidez" aparece no sentido clínico e biológico da velhice, associado à
demência ou à perda das capacidades mentais como está escrito: "Filho,
ajuda teu pai na velhice, não o entristeças durante sua vida. E se ele perder a
lucidez, saiba desculpar e não o desprezes em nenhum dia de sua vida”.
(Eclesiástico 3:14-15). Já em Eclesiastes 3.14-15 na bíblia evangélica temos
uma tradução mais explícita sobre o assunto que diz: Eclesiastes 3:14-15 ensina
que os planos de Deus são perfeitos, eternos e imutáveis, servindo para gerar
reverência e temor na humanidade. (4) O Texto Bíblico (ARA = Almeida Revista e Atualizada)
diz o seguinte: "14. Sei que tudo quanto Deus faz durará para sempre; nada
se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os homens
temam diante dele. 15. O que é já foi; e o que há de ser já foi; Deus fará vir
outra vez o que já se passou”.
12 -
A Obra Perfeita de Deus (o versículo 14) diz sobre a Eternidade: O que Deus faz não é passageiro.
Tem valor eterno. O ser humano não pode melhorar ou estragar os propósitos
divinos. Nada falta e nada sobra. Por isso tem que reconhecer a soberania de
Deus que faz com que o homem o respeite com humildade e reverência. (1) A ordem
do tempo e ou a ciclicidade ou a periodicidade ou a alternância de fases, (Versículo
15) se explica pela história incluindo o passado, o presente e o futuro que seguem
sob o controle de Deus. (2) A repetição
do que acontece hoje reflete coisas que já aconteceram antes. Deus traz de
volta o que já passou segundo a sua vontade. (3) Neste contexto específico, a
Bíblia ordena paciência, compaixão e honra aos pais idosos que já não respondem
por si só plenamente.
13 -
A Queda Espiritual de Lúcifer causou pânico nos céus. No campo da teologia
angelical, a queda de Lúcifer (Isaías traduz o nome Lúcifer para “Anjo de Luz”)
descrita de forma metafórica em textos como Ezequiel 28 e Isaías 14 é o maior
exemplo de perda da lucidez espiritual. (1) Sendo o anjo mais brilhante e
perfeito, sua formosura corrompeu sua sabedoria. O orgulho fez com que ele
acreditasse, de maneira totalmente ilógica e insana, que poderia ser igual ou
superior ao próprio Criador.
14 -
A origem do Diabo. A Bíblia não fornece informações diretas sobre a origem do
diabo, a não ser o episódio no céu quando Lúcifer se revelou contra Deus. (1) Tudo
o que sabemos é que Deus é o Único criador de todas as coisas (Gênesis 1). Isso
significa que o diabo é uma criatura de Deus e
Consequentemente, também não há detalhes sobre como e quando aconteceu a
queda de Satanás. (2) O fato de a Bíblia não explicar a origem do diabo está
relacionado ao fato de que ela não descreve detalhadamente a criação dos seres
celestiais. Eles foram criados por Deus, mas as Escrituras não esclarecem
quando isso exatamente ocorreu. O fato é que Deus não criou o diabo, Deus criou
um anjo de luz, que se transformou em Satanás pela maldade de sua decisão de
querer ser igual a Deus.
15 -
A Bíblia diz que Deus é santo e justo, e dEle não pode provir o mal moral
(Tiago 1:13). Portanto, isso significa que apesar de a Bíblia não relatar a
origem do diabo, ela nos indica claramente que Deus não o criou mau, Lúcifer se
transformou neste anjo mau e liderou uma grande rebelião no céu. (1) Quando
alguma passagem bíblica diz que Deus criou o mal, (vontade permissiva=Deus
permitiu) a referência é ao mal temporal, e não ao mal moral. O mal temporal é
o castigo enviado por Deus por causa do pecado. Já o mal moral é o próprio
pecado em si. Se Deus tivesse criado o diabo originalmente corrompido
moralmente, isso faria d’Ele o próprio autor do pecado. Saiba mais
sobre como o pecado surgiu. (2) Além disso, o mal moral é a transgressão
da Lei de Deus. Essa Lei é a expressão da natureza e do caráter divino.
Portanto, é impossível que Deus seja o autor do mal filosófico, pois isso
implicaria num ato contrário à sua própria natureza. Isso significa que devemos
entender o mal moral como aquilo que é oposto a Deus. Quando certas criaturas
de Deus resolveram desobedecê-lo, esse mal se tornou experiencial.
16 -
Logo, a melhor interpretação é a de que o diabo foi criado por Deus como uma
criatura boa, assim como os demais anjos. Sendo um ser racional, ele recebeu de
Deus a capacidade de tomar decisões morais e ser responsável por elas. Então
por conta própria, fazendo uso de seu livre-arbítrio, num determinado
momento ele resolveu transgredir a Lei de Deus. (1) Por algum motivo,
Deus, em sua sabedoria, não considerou importante nos revelar detalhes sobre a
origem do diabo e sua consequente queda. É interessante notar que o livro de
Gênesis, onde os atos criativos de Deus são descritos, simplesmente não faz
qualquer referência sobre esse assunto.
17 -
Mas se por um lado a Bíblia se cala sobre a origem do diabo, por outro ela nos
informa perfeitamente o seu destino final. Se não temos os detalhes sobre como
foi a queda de Satanás no princípio, temos detalhes suficientes sobre como será
sua condenação certa na consumação dos séculos. Quando Cristo voltar, Ele trará
a plenitude de seu reino, e Satanás e seus agentes serão lançados no lago de
fogo. Ali eles serão atormentados por toda a eternidade, (Apocalipse
20:10).
18 -
Como Lúcifer caiu e se tornou Satanás? A história da queda de Lúcifer é
descrita em dois capítulos importantes do Antigo Testamento: Ezequiel
28 e Isaías 14. Vamos analisá-los brevemente. (1) Pelo contexto
de Ezequiel 28, parece que os dez primeiros versículos deste capítulo
tratam de um líder humano. Em seguida, a partir do versículo 11 até o versículo
19, Lúcifer se torna o foco da discussão. Além disso, a palavra do SENHOR veio
a mim: "Filho do homem, faça lamentações sobre o rei de Tiro e diga-lhe:
Assim diz o Senhor DEUS: "Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria
e perfeito em beleza. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era
a tua cobertura, sardônica, topázio, diamante, berilo, ônix, jaspe, safira,
esmeralda e carbúnculo; em ouro eram os teus engastes e as tuas gravações. No
dia em que foste criado, foram preparados. Eras um querubim ungido para a
guarda. Eu te coloquei; estavas no monte santo de Deus; andavas no meio das
pedras afogueadas. Eras irrepreensível nos teus caminhos desde o dia em que
foste criado, até que se achou injustiça em ti. Na abundância do teu comércio,
encheste-te de violência no teu meio e pecaste; Por isso, eu te lancei como
coisa profana do monte de Deus e te destruí, ó querubim da guarda, do meio das
pedras de fogo. (2) Teu coração se encheu de orgulho por causa da tua
beleza; corrompeste a tua sabedoria por causa do teu esplendor. Lancei-te por
terra; expus-te diante dos reis, para que eles te contemplassem. Pela multidão
das tuas iniquidades, na injustiça do teu comércio, profanaste os teus
santuários; por isso, fiz sair fogo do meio de ti, o qual te consumiu, e te
reduzi a cinzas sobre a terra, à vista de todos os que te viram. Todos os povos
que te conhecem estão horrorizados contigo; chegaste a um fim terrível e jamais
existirás. ( Ezequiel 28:11-19).
19 -
A queda de Lúcifer na Bíblia aconteceu assim. (1) Qual é a justificativa para a de que esses
últimos versículos se referem à queda de Lúcifer? Enquanto os dez primeiros
versículos deste capítulo falam sobre o governante de Tiro (que foi condenado
por se declarar um deus, embora fosse apenas um homem), a discussão passa a se
concentrar no rei de Tiro a partir do versículo 11. Muitos estudiosos acreditam
que, embora houvesse um "governante" humano em Tiro, o verdadeiro
"rei" de Tiro era Satanás, pois era ele quem, em última análise, atuava
nessa cidade anti-Deus e era ele quem agia por meio do governante humano da
cidade. (2) Alguns sugerem que esses versículos podem, na verdade, estar se
referindo a um rei humano de Tiro que foi empoderado por Satanás. Talvez o rei
histórico de Tiro fosse um instrumento de Satanás, possivelmente até mesmo
possuído por ele. Ao descrever esse rei, Ezequiel também nos dá vislumbres da
criatura sobre-humana, Satanás, que o usava, se não o possuía. Acredito
plenamente que ele era possesso.
20 -
Agora, há coisas que são verdadeiras sobre esse “rei” que, pelo menos em última
análise, não podem ser consideradas verdadeiras sobre os seres humanos. Por
exemplo, o rei é retratado como tendo uma natureza diferente da do homem (ele é
um querubim, versículo 14); ele tinha uma posição diferente da do homem (ele
era irrepreensível e sem pecado, versículo 15); ele estava em um reino
diferente do homem (o monte santo de Deus, versículos 13,14); ele recebeu um
julgamento diferente do homem (ele foi expulso do monte de Deus e lançado à
terra, versículo 16); e os superlativos usados para
descrevê-lo não parecem se encaixar na descrição de um ser humano normal
(“cheio de sabedoria”, “perfeito em beleza” e tendo “o selo da perfeição”,
versículo 12).
21 –
Então quem é Lúcifer e por que ele se rebelou? Nosso texto nos diz que esse rei
era um ser criado e saiu da mão criadora de Deus em um estado perfeito
( Ezequiel 28:12-15 ). E ele permaneceu perfeito em seus caminhos até
que a iniquidade foi encontrada nele ( Ezequiel 28: 15b). (1)
Qual foi essa iniquidade encontrada nele? Lemos em Ezequiel 28:17: “O
teu coração se encheu de orgulho por causa da tua formosura, e corrompeste a
tua sabedoria por causa do teu esplendor”. Lúcifer aparentemente ficou tão
impressionado com sua própria beleza, inteligência, poder e posição que começou
a desejar para si a honra e a glória que pertenciam somente a Deus. O pecado
que corrompeu Lúcifer foi o orgulho gerado por ele mesmo. (2) Aparentemente,
isso representa o início real do pecado no universo, precedendo a queda do Adão
humano por um período indeterminado. O pecado teve origem no livre-arbítrio de
Lúcifer, no qual com plena consciência das questões envolvidas, ele escolheu se
rebelar contra o Criador. (3) Este poderoso ser angelical foi justamente
julgado por Deus: “Eu te lancei por terra” ( Ezequiel 28:18). Isso não
significa que Satanás não teve mais acesso ao céu, pois outros versículos das
Escrituras indicam claramente que ele manteve esse acesso mesmo após sua queda,
( Jó 1:6-12 ; Zacarias 3:1,2 ).
22 -
No entanto, Ezequiel 28:18 indica que Satanás foi absoluta e
completamente expulso do governo celestial de Deus e de seu lugar de autoridade,( Lucas
10:18 ). Isaías 14 , versículos 12 a 17, é outra passagem do Antigo
Testamento que pode se referir à queda de Lúcifer. Devemos ser francos ao
admitir que alguns estudiosos da Bíblia não veem qualquer referência a Lúcifer
nesta passagem. Argumenta-se que o ser mencionado neste versículo se refere a
um homem, ( Isaías 14:16 ); é comparado a outros reis da terra
(versículo 18); e as palavras "Como caíste do céu!" (versículo 12)
supostamente se referem a uma queda de grandes posições políticas, mas não, a
referência é para mostrar a queda principal do traidor rebelde dos céus. (2) "Como
caíste do céu, ó Estrela da Manhã, filho da Aurora! Como foste lançado por
terra, tu que subjugastes as nações! Tu dizias no teu coração: 'Subirei ao céu;
acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; no monte da congregação me
assentarei, nos confins do norte; subirei acima das mais altas nuvens; serei
semelhante ao Altíssimo.' Mas foste precipitado para o Sheol, para o mais
profundo abismo. Os que te virem te contemplarão e refletirão sobre ti,
dizendo: 'É este o homem que fazia tremer a terra, que abalava os reinos, que
transformava o mundo num deserto e destruía as suas cidades, que não deixava
voltar para casa os seus prisioneiros?' ( Isaías 14:12-17).
23 -
Há outros estudiosos que interpretam essa passagem como se referindo apenas à
queda de Lúcifer, sem qualquer menção a um rei humano. O argumento aqui é que a
descrição desse ser transcende a humanidade e, portanto, não poderia se referir
a um mero mortal. (1) Existe uma terceira perspectiva que considero preferível
às duas anteriores. Essa perspectiva interpreta Isaías 14:12-17 como
tendo uma dupla referência. É possível que os versículos 4 a 11 tratem de um
rei da Babilônia de fato. Então, nos versículos 12 a 17, encontramos uma dupla
referência que inclui não apenas o rei da Babilônia, mas também uma descrição
tipológica de Lúcifer. (2) Se esta passagem contém uma referência à queda de
Lúcifer, então o padrão desta passagem parece se encaixar no da referência
de Ezequiel 28 isto é, primeiro um líder humano é descrito e, em seguida,
a referência dupla é feita a um líder humano e a Satanás.
24 –
A fraqueza emocional derrota a qualquer ser humano que não formar suas decisões
e posições com a intervenção de Deus o criador. A fraqueza emocional é a
motivadora de quedas de todos os tipos de pessoas estejam onde estiverem, em
qualquer lugar as pessoas devem estar seguros nas mãos de Deus para não cair.
(1) A Bíblia mostra que a queda de líderes e o fracasso em suas decisões
ocorrem quando há afastamento do temor a Deus, orgulho espiritual, isolamento
ou negligência em ouvir conselhos sábios. Na perspectiva bíblica, a liderança
não é um cargo de privilégio ou dominação, mas sim um chamado ao serviço, à
integridade e à total dependência da orientação divina.
25 -
Quando um líder falha nessas áreas, as consequências de suas escolhas ecoam de
forma destrutiva sobre todo o povo. As causas principais da queda dos líderes
na Bíblia são enumeradas. (1) O orgulho e a autossuficiência dá um gostinho de
sucesso inicial e pode gerar uma falsa sensação de controle. O líder passa a
confiar em seu próprio entendimento e ignora as direções e diretrizes divinas.
(2) O isolamento e a rejeição de conselhos das outras lideranças que governam
de forma centralizada ou que se cercam apenas de bajuladores tendem a arruinar
sua gestão. (3) A negligência familiar e pessoal causam falhas em liderar a
própria casa ou ceder a paixões e cobiças pessoais e destrói a autoridade moral
do líder perante a sua comunidade. (4) Decisões precipitadas são constantes por
pressão e ou emoção. A ação de agir pelo calor do momento ou para agradar à
multidão, em vez de esperar o tempo e o direcionamento corretos, são mais que
prejudiciais.
26 -
O que a Bíblia nos ensina sobre a queda de líderes. A Escritura não é ingênua
quanto à fragilidade humana dos líderes. Ao contrário, a Bíblia registra com
honestidade desconcertante as quedas dos maiores nomes da história redentora. (1)
Abraão mentiu sobre sua esposa por medo. Moisés perdeu o controle e desobedeceu
a Deus diante do povo. Sansão foi destruído pela própria impulsividade.
Salomão, o homem mais sábio do mundo segundo as Escrituras, terminou sua vida
afastado de Deus por causa de mulheres e dos ídolos. E Davi o homem segundo o
coração de Deus cometeu adultério e homicídio. (2) Esse registro não está ali
para envergonhar os personagens. Está ali para nos ensinar que a posição
de liderança não imuniza ninguém contra o pecado. A Bíblia trata isso com
seriedade porque o peso da queda de um líder é sempre maior do que a queda de
uma pessoa comum. Quando um líder cai, ele não cai sozinho. (3) O apóstolo
Tiago deixou esse aviso com clareza, "Meus irmãos, nem todos devem
ser mestres, pois sabemos que seremos julgados com mais rigor", (Tiago
3.1, NVI). A responsabilidade do ensino e da influência espiritual carrega um
peso que Deus leva a sério. Isso não é para assustar quem lidera, mas para
manter acesa a consciência de que o cargo não substitui o caráter. (4) O caso
de Davi é talvez o mais estudado. Segundo Samuel, ele estava no lugar errado na
hora errada ficou em Jerusalém quando deveria estar na guerra, ficou ocioso
quando deveria estar ativo, (2 Samuel 11.1). A queda moral raramente começa com
o ato grande. Começa com a negligência pequena. Com a preguiça espiritual, com
o afastamento da comunidade, com a sensação de que "eu já cheguei longe o
suficiente para me dar esse descanso”.
27 -
O Novo Testamento também não foge ao tema. Paulo escreveu às igrejas com
preocupação real quanto à idoneidade dos líderes. Em 1 Timóteo 3.1-7, ele
elenca qualidades para o supervisor da igreja e a maioria delas é de ordem
moral e relacional, não técnica. O líder deve ser irrepreensível, fiel ao
cônjuge, sóbrio, honrado, hospitaleiro. Paulo sabia que o ministério sem
caráter é uma contradição em si mesma. (1) Aquele que pensa estar firme (em pé)
veja que não caia", (1 Coríntios 10.12, NVI). Isso não é relativismo
moral é honestidade sobre a condição humana. Construa relações de prestação de
contas. Se você está em posição de liderança, busque pelo menos duas ou
três pessoas de confiança com quem você possa ser radicalmente honesto sobre
suas lutas, tentações e zonas cegas. Isso não é fraqueza é sabedoria
preventiva. (2) Ore por quem caiu, pelas vítimas e pela comunidade
afetada. As três partes precisam de oração específica e diferente. Quem
caiu precisa de arrependimento genuíno e processo de restauração. (3) As vítimas precisam de justiça, cuidado e
cura. A comunidade precisa de discernimento para não generalizar o episódio em
desconfiança de toda liderança cristã.
28 -
Não abandone a igreja. Essa é uma tentação real. A queda de um líder pode
causar trauma genuíno, e afastar-se por um tempo pode ser necessário para
sarar. Mas o isolamento definitivo não é a resposta bíblica. A igreja, com
todos os seus defeitos, ainda é o corpo de Cristo no mundo. Encontrar uma
comunidade saudável, com governança transparente e cultura de prestação de
contas, é um passo de fé maduro. (1) A Bíblia não romantiza a liderança. Ela a
trata como vocação pesada, honrosa e arriscada. Líderes são feitos de barro
como todo mundo e a graça que os chamou é a mesma graça que os sustenta e os
julga. O que muda quando um líder cai não é o evangelho. O evangelho permanece.
O que muda é o convite para que toda a comunidade examine com mais seriedade o
tipo de liderança que cultiva e apóia.
Deus
abençoe você e sua família.
Pr.
Waldir Pedro de Souza
Bacharel
em Teologia, Pastor e Escritor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário